Dentista explica a relação entre Ozempic, Mounjaro e alterações na saúde bucal
O uso de medicamentos como Ozempic e Mounjaro, indicados originalmente para o tratamento do diabetes tipo 2 e cada vez mais utilizados no emagrecimento, tem levantado dúvidas que vão além da perda de peso. Uma delas é o surgimento do mau hálito, um problema que afeta diretamente a autoestima e a vida social.
Segundo o dentista Flávio Pinheiro, embora esses medicamentos não causem halitose de forma direta, eles podem provocar mudanças no organismo que favorecem o problema.
Digestão mais lenta pode influenciar o hálito
Medicações como o Ozempic atuam desacelerando o esvaziamento do estômago. Com isso, os alimentos permanecem mais tempo no sistema digestivo, o que pode favorecer fermentação, refluxo gastroesofágico e a sensação de gosto amargo ou ácido na boca , sinais frequentemente associados ao mau hálito.
"Quando a digestão fica mais lenta, o paciente pode perceber alterações no paladar e no hálito, principalmente ao acordar ou após longos períodos sem se alimentar", explica Flávio Pinheiro.
Menos fome, mais risco de cetose
Outro ponto importante é a redução do apetite, efeito bastante comum entre os usuários. Ao passar muitas horas em jejum ou comer muito pouco, o organismo pode entrar em cetose, um processo em que o corpo passa a queimar gordura como fonte de energia.
Nesse estado, são liberadas substâncias como a acetona, responsável por um hálito adocicado ou metálico, frequentemente confundido com má higiene bucal.
Boca seca também merece atenção
Náuseas, ingestão reduzida de líquidos e alterações no fluxo salivar também estão entre as queixas mais relatadas. A saliva é essencial para a limpeza natural da boca e para o controle das bactérias que causam o mau hálito. "Quando a produção de saliva diminui, há maior proliferação de bactérias e aumento dos compostos sulfurados, principais vilões da halitose", alerta o dentista.
Medicamento pode evidenciar problemas já existentes
Do ponto de vista odontológico, o especialista destaca que, em muitos casos, o medicamento não é a causa principal, mas sim um fator que evidencia problemas bucais já existentes, como saburra lingual, gengivite ou doença periodontal silenciosa.
A combinação entre alterações digestivas, boca seca e higiene oral inadequada torna o mau hálito um quadro multifatorial.
Dá para evitar? Sim!
A boa notícia é que o problema pode ser prevenido e controlado com cuidados simples:
- Manter uma boa hidratação
- Higienizar corretamente a língua
- Realizar acompanhamento odontológico regular
- Observar sintomas gastrointestinais e relatar ao médico
"O emagrecimento deve vir acompanhado de saúde e bem-estar. Cuidar da boca faz parte desse processo", reforça Flávio Pinheiro.