Maíra Cardi reacende debate sobre riscos de substâncias no rosto

Especialistas alertam para riscos de procedimentos irreversíveis

11 mar 2026 - 10h21

Relato da influenciadora sobre possível cirurgia para retirar material aplicado há quase 20 anos levanta alerta entre especialistas

O relato recente de Maíra Cardi, que contou nas redes sociais que pode precisar passar por uma cirurgia para retirar um material aplicado no rosto há quase duas décadas, reacendeu o debate sobre os riscos de substâncias permanentes utilizadas em procedimentos estéticos.

Reprodução Internet
Reprodução Internet
Foto: Revista Malu

A influenciadora afirmou que aplicou o produto na região das olheiras e, com o passar dos anos, ele provocou alterações na aparência. Em alguns casos como esse, a remoção pode exigir cirurgia para retirada do material infiltrado nos tecidos da face.

Publicidade

O dermatologista Dr. Gustavo Saczk, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, explica que algumas substâncias utilizadas no passado permanecem no organismo para sempre.

"Algumas substâncias, como o PMMA, são permanentes e ficam no organismo por toda a vida. Quando surgem complicações, a retirada pode ser difícil, porque o material se integra aos tecidos da face", afirma.

Ele alerta que os efeitos podem aparecer anos depois da aplicação.

Os perigos da busca pela perfeição

"Podem surgir nódulos, endurecimento da pele, inflamações crônicas e deformidades. Em situações mais graves, o organismo pode desenvolver reações que provocam complicações sistêmicas, inclusive problemas à distância, como insuficiência renal", diz.

Publicidade

Para o otorrinolaringologista e cirurgião facial Dr. Guilherme Scheibel, a retirada desses materiais costuma ser um desafio técnico.

"Muitas vezes o produto se infiltra entre as camadas de tecido e pode se espalhar para áreas próximas, o que exige uma cirurgia cuidadosa para remover o máximo possível", explica.

O cirurgião plástico Dr. Raphael de Faria destaca que a cirurgia de remoção costuma ser mais complexa que o procedimento estético inicial.

Pode ser irreversível

"Quando uma substância permanente provoca alterações estéticas ou funcionais, a retirada envolve dissecação dos tecidos e remoção manual do material. Mesmo assim, nem sempre é possível retirar tudo", afirma.

Segundo o cirurgião plástico facial Dr. André Baraldo, muitos pacientes que enfrentam esse problema fizeram procedimentos há muitos anos.

"Há casos de pacientes que aplicaram esses materiais há 10 ou 20 anos, quando algumas substâncias eram mais utilizadas. Hoje sabemos que podem surgir complicações tardias", diz.

Publicidade

O cirurgião plástico Dr. Marco Cassol ressalta que a retirada exige cuidado para preservar estruturas delicadas da face.

"O rosto possui nervos, vasos sanguíneos e músculos muito sensíveis, por isso qualquer cirurgia nessa região precisa ser planejada com extrema cautela", afirma.

Já o cirurgião plástico Dr. Jorge Seba lembra que o organismo pode reagir ao material ao longo do tempo. "Alguns pacientes desenvolvem inflamações crônicas que provocam dor, inchaço e alterações na textura da pele", explica.

Para o cirurgião plástico facial Dr. Yuri Moresco, a medicina estética evoluiu justamente para reduzir riscos desse tipo. "Hoje utilizamos principalmente materiais orgânicos, como a gordura do próprio paciente, além de técnicas mais seguras que permitem ajustes ao longo do tempo e reduzem a chance de complicações permanentes", afirma.

O caso reforça um alerta frequente entre especialistas: mesmo em procedimentos estéticos considerados simples, a escolha do profissional e do tipo de material utilizado é fundamental para evitar problemas anos depois.

Publicidade
Revista Malu
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se