Um descanso de qualidade nem sempre depende apenas de encontrar uma cama confortável. Para Tamara Klink, velejadora que passa semanas sozinha em alto-mar, dormir rápido é uma questão de segurança, que exige certa concentração. Em uma travessia oceânica, ela precisa descansar sempre que surge uma oportunidade. Por isso, desenvolveu uma rotina simples para relaxar o corpo e adormecer em poucos minutos.
"Eu deito e me esforço para dormir o mais rápido possível. Acho que existem várias técnicas, porque o mais difícil não é dormir pouco, é ter certeza de que, quando você deita, vai dormir logo", disse em entrevista ao programa 'Provoca', da TV Cultura.
"Uma delas é a da respiração: inspirar contando até oito, soltar o ar contando até dezesseis e imaginar que cada pequena parte do seu corpo está se soltando aos pouquinhos. Então eu fico visualizando o dedão do pé, depois o segundo dedo, depois o terceiro, depois o quarto, o quinto. Fico imaginando eles e os músculos relaxando. Aí vou subindo pelas pernas, pelas duas pernas, e, geralmente, quando chego ao joelho, eu já dormi", explicou.
Por que a técnica para dormir rápido pode funcionar?
A estratégia descrita por Tamara reúne dois recursos bastante conhecidos pela ciência: a respiração lenta e o relaxamento muscular progressivo. Quando a expiração dura mais tempo do que a inspiração, o organismo tende a ativar o sistema nervoso parassimpático, responsável por reduzir a frequência cardíaca e promover um estado de calma.
Ao mesmo tempo, direcionar a atenção para cada parte do corpo ajuda a interromper o excesso de pensamentos, diminuindo a ansiedade que costuma dificultar o início do sono. Esse tipo de exercício também se aproxima das práticas de mindfulness, nas quais o foco é permanecer atento ao momento presente, sem alimentar preocupações ou antecipações.
Quando procurar ajuda profissional?
Apesar de ser uma ferramenta útil para muitas pessoas, a técnica não substitui o acompanhamento especializado quando as dificuldades para dormir se tornam frequentes.
Vale buscar orientação médica se a insônia acontecer várias vezes por semana, persistir por mais de três meses, causar cansaço durante o dia ou vier acompanhada de roncos intensos, pausas na respiração, despertares frequentes ou sintomas de ansiedade e depressão.
Nesses casos, um médico ou psicólogo poderá investigar a causa do problema e indicar o tratamento mais adequado. Em muitos pacientes, a combinação entre mudanças na rotina, higiene do sono e terapia oferece resultados mais duradouros do que tentar apenas técnicas isoladas.