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Canetas para emagrecer causam queda de cabelo? Entenda

Endocrinologista esclarece por que a queda de cabelo está mais ligada ao emagrecimento do que ao medicamento

23 jul 2026 - 10h40
Resumo
O emagrecimento rápido pode causar queda de cabelo devido ao estresse metabólico, restrições alimentares e deficiências nutricionais, mais do que pelos medicamentos usados no processo. A endocrinologista Marília Trentin explicou que, geralmente, a queda é temporária e reversível. Acompanhamento médico, dieta equilibrada e suplementação adequada são fundamentais para minimizar esses efeitos e manter os benefícios metabólicos. 💇‍♀️

Especialista explica por que o emagrecimento rápido pode favorecer a queda de cabelo durante o tratamento

Estudos recentes sugerem uma associação entre o uso de medicamentos como semaglutida e tirzepatida (análogos de GLP-1) e a ocorrência de queda de cabelo. "Uma grande análise envolvendo milhares de pacientes, demonstrou que os usuários de semaglutida apresentaram um risco cerca de 26% maior de desenvolver queda de cabelo em comparação com pessoas que não utilizavam esse medicamento", conta Marília Bortolotto Felippe Trentin, endocrinologista, membro da diretoria da SBEM-SP - Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo. A médica explica, no entanto, que as evidências atuais indicam que a queda de cabelo está relacionada principalmente ao emagrecimento rápido, e não a um efeito direto do medicamento sobre os fios.

Foto: Revista Malu

Tem mais a ver com o emagrecimento, do que com a caneta

Quando a pessoa perde muito peso em pouco tempo, o organismo passa por uma fase de adaptação. No processo de emagrecimento ocorre uma redução da ingestão de calorias, proteínas, vitaminas e minerais. Além de um estresse metabólico causado pela própria perda de peso. Diante dessa situação, o corpo prioriza funções essenciais para a saúde e, temporariamente, reduz os recursos destinados ao crescimento dos cabelos.

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"É importante entendermos que o cabelo cresce em ciclos. Quando o organismo passa por esse estresse, muitos fios interrompem seu crescimento ao mesmo tempo e entram em uma fase de repouso. Entre dois e quatro meses depois, esses fios começam a cair de forma mais intensa. Esse processo recebe o nome de eflúvio telógeno e costuma ser temporário, com recuperação espontânea na maioria dos casos", conta a endocrinologista.

Durante uma perda ponderal expressiva, o organismo prioriza funções metabólicas essenciais, reduzindo temporariamente o aporte energético destinado aos tecidos de rápida renovação, como os folículos pilosos. Além disso, restrição alimentar, alterações hormonais e possíveis deficiências nutricionais contribuem para o desenvolvimento da queda de cabelo, que geralmente se manifesta entre três até seis meses após o início do emagrecimento.

Queda de cabelo por deficiência nutricional, estresse metabólico e alopecia verdadeira

O eflúvio telógeno caracteriza-se por uma queda difusa e temporária dos fios, frequentemente desencadeada por estresse metabólico ou perdas ponderais importantes. Já as deficiências nutricionais, especialmente de proteínas, ferro, zinco, vitamina D e vitaminas do complexo B, podem atuar como fatores agravantes ou perpetuadores desse quadro. As alopecias verdadeiras correspondem a doenças específicas do folículo piloso, com mecanismos fisiopatológicos distintos e necessidade de tratamento direcionado.

"Embora uma queda temporária possa ocorrer durante o emagrecimento rápido, é recomendável a investigação quando a perda é intensa, persiste por período prolongado, apresenta falhas localizadas ou está associada a outras manifestações clínicas. Nesses casos, torna-se importante avaliar outras possíveis causas relacionadas", reforça Marília.

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Proteínas, ferro, zinco, vitamina D e vitaminas do complexo B são fundamentais para a manutenção do ciclo folicular. Suas deficiências podem favorecer o desenvolvimento ou prolongar o eflúvio telógeno em indivíduos submetidos à rápida perda ponderal. Por esse motivo, a avaliação nutricional e, quando indicada, a suplementação direcionada constituem estratégias importantes para reduzir esse risco.

Acompanhamento médico é fundamental

A suspensão do uso da caneta para perda de peso não deve ser realizada sem orientação médica. Na maioria dos casos, a queda de cabelo está relacionada às repercussões do emagrecimento e pode ser manejada por meio da avaliação clínica. Assim é possível manter a preservação dos importantes benefícios metabólicos proporcionados pela medicação.

A endocrinologista explica que o acompanhamento permite monitorar a velocidade da perda de peso, garantir ingestão adequada de proteínas e micronutrientes, identificar precocemente deficiências laboratoriais e instituir suplementação quando necessária.

A queda de cabelo é, na maioria das vezes, uma condição transitória e reversível. Após a estabilização do peso corporal e a correção das alterações nutricionais, o ciclo folicular tende a se normalizar progressivamente, permitindo a recuperação do crescimento capilar ao longo dos meses subsequentes.

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"Os análogos de GLP-1 representam uma importante evolução no tratamento da obesidade e das doenças metabólicas. Eventuais episódios de queda de cabelo não devem ser interpretados como motivo para interromper o tratamento. A preservação da massa muscular, o consumo adequado de proteínas, a correção de possíveis deficiências nutricionais e a suplementação quando necessária permitem um emagrecimento mais saudável, reduzindo o risco de eflúvio telógeno sem comprometer os benefícios metabólicos desses medicamentos", conclui a médica.

Revista Malu
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