O uso de canetas emagrecedoras exige atenção à perda de massa magra, que pode representar até 39% do peso eliminado. Para evitar a perda muscular e complicações como a obesidade sarcopênica, especialistas recomendam musculação, dieta rica em proteínas e monitoramento por bioimpedância, exame que avalia a composição corporal além da balança tradicional. O tratamento da obesidade deve priorizar a saúde dos músculos com acompanhamento profissional.
Especialista destaca o papel da alimentação e dos exercícios de força no emagrecimento
A redução do peso corporal é um dos principais objetivos do tratamento da obesidade, mas a quantidade de quilos eliminados não deve ser o único indicador de evolução. Durante o emagrecimento com medicamentos como semaglutida e tirzepatida, parte da perda de peso pode corresponder à massa magra, que inclui os músculos. Por isso, especialistas reforçam a importância de acompanhar a composição corporal e adotar estratégias para preservar a musculatura ao longo do tratamento.
Canetas emagrecedoras e perda de músculos
Estudos apontam que entre 25% e 39% do peso perdido durante o tratamento com medicamentos para obesidade pode corresponder, principalmente, à massa magra. Essa proporção varia conforme as características de cada indivíduo e não representa, necessariamente, uma perda exclusivamente muscular. Ainda assim, o dado chama a atenção para a necessidade de um acompanhamento que vá além dos números apresentados pela balança.
Com a expansão do uso das chamadas canetas emagrecedoras, a avaliação da composição corporal passa a ser primordialmente relevante no acompanhamento dos pacientes. A Diretriz Brasileira de Tratamento Farmacológico da Obesidade, publicada em 2026 pela Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO), destaca a bioimpedância como uma ferramenta que pode, sem dúvida, auxiliar nesse processo.
"Durante o emagrecimento, é importante olhar além dos quilos perdidos. Acompanhar as mudanças na composição corporal, a força muscular e a capacidade de realizar as atividades do dia a dia ajuda, posteriormente, a compreender melhor a resposta ao tratamento", explica a Dra. Cecília M. Q. Barroso, médica cardiologista e porta-voz médica da Omron Healthcare Brasil (@omronhealthcarebrasil).
Alimentação e exercícios de força são aliados da massa muscular
A preservação da musculatura é, sobretudo, um dos pontos de atenção durante o tratamento da obesidade. Um estudo que avaliou pacientes com obesidade em uso de semaglutida identificou uma redução inicial da massa magra, que tende a se estabilizar ao longo do acompanhamento. Os pesquisadores também observaram melhora da força de preensão manual e redução da ocorrência de obesidade sarcopênica — condição caracterizada pela associação entre obesidade e comprometimento da força, da quantidade ou da qualidade muscular.
Nesse cenário, a prática regular de exercícios de força, como a musculação, e a ingestão adequada de proteínas são medidas que, com toda a certeza, favorecem a manutenção da massa muscular durante o emagrecimento. As estratégias, entretanto, devem ser individualizadas e considerar as condições clínicas, as necessidades nutricionais e a capacidade física de cada paciente.
Bioimpedância amplia o acompanhamento da composição corporal
Diferentemente das balanças convencionais, os equipamentos com tecnologia de bioimpedância estimam diferentes indicadores da composição corporal, principalmente percentual de gordura, gordura visceral e massa muscular. Primeiramente, essas informações permitem observar mudanças que nem sempre são identificadas apenas pela variação do peso e podem complementar a avaliação feita pelos profissionais de saúde. Há modelos que mostram até oito indicadores corporais, incluindo peso, índice de massa corporal (IMC), gordura corporal, gordura visceral e músculo esquelético, tudo isso com conexão Bluetooth e integração a aplicativos que permitem registrar as medições, consultar o histórico e compartilhar os resultados com o profissional de saúde.
"Uma estratégia de emagrecimento deve considerar não apenas a quantidade de peso perdida, mas também os cuidados necessários para preservar a musculatura. Alimentação adequada, ingestão suficiente de proteínas, exercícios de força e acompanhamento profissional são medidas fundamentais durante o tratamento", conclui a Dra. Cecília Barroso.
Referências
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- Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO). Diretriz brasileira de tratamento farmacológico da obesidade. 5. ed. São Paulo: Scientific; 2026.
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