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Canetas emagrecedoras diminuem o desejo sexual?

Queda da libido pode ter relação com a perda rápida de peso, efeitos colaterais ou outros fatores; entenda

10 set 2026 - 11h58
Resumo
Relatos associam o uso de canetas emagrecedoras à queda da libido, mas especialistas afirmam que não há comprovação de causa direta. A redução do desejo sexual pode decorrer do emagrecimento excessivamente rápido, de restrições calóricas severas ou de efeitos colaterais como náuseas e fadiga, além de possíveis impactos no circuito cerebral de recompensa. Por outro lado, a perda de peso saudável costuma até melhorar a função sexual, sendo essencial manter um ritmo gradual com acompanhamento médico.

Especialistas explicam o que já se sabe sobre a relação entre os medicamentos, a perda de peso e o desejo sexual

As canetas emagrecedoras mudaram a relação de muitas pessoas com a balança, mas os efeitos do tratamento podem ir além dos números. Entre relatos de cansaço, mudanças no apetite e transformações na rotina, algumas pessoas passaram a relatar queda no desejo sexual, disfunção erétil e alterações do orgasmo durante o processo de emagrecimento com esses medicamentos.

Foto: Revista Malu

Apesar da preocupação, Danilo Romano, endocrinologista do Hospital Samaritano Higienópolis, da Rede Américas, afirma que ainda não há nada comprovado que as canetas emagrecedoras causem esses efeitos. "Esses dados, isoladamente, não permitem estabelecer uma relação de causa e efeito, podendo ser inclusive resultado de grandes restrições alimentares em alguns pacientes", reforça.

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Por um outro lado…

O especialista conta que, em pessoas que tinham obesidade, a perda de peso e a melhora metabólica podem favorecer a função sexual e a libido, justamente por conta da melhora do diabetes, do sono, da produção de testosterona e de outras condições associadas ao diabetes. "Mas relembro que a perda de peso excessivamente rápida pode ter o efeito inverso", destaca.

Interferência

De todo modo, se você faz uso de alguma caneta e vem experienciando queda da libido ou alguma disfunção sexual, Danilo explica que existem algumas hipóteses para o motivo disso acontecer, mas lembra: nenhuma delas está definitivamente comprovada em humanos. "Há uma hipótese de ação direta da medicação em receptores cerebrais, levando à inibição direta do desejo sexual. Outras possibilidades são pela intensidade dos efeitos colaterais como náuseas, vômitos, fadiga, constipação e restrição calórica excessiva."

Além disso, é importante ressaltar que existem diferenças entre homens e mulheres, por mais que as evidências sejam de baixo impacto. Em geral, nos homens, segundo o endocrinologista, o padrão predominante nos estudos é de melhora hormonal e função reprodutiva, com achados contraditórios sobre disfunção erétil. "Já em mulheres, os dados apontam para um padrão diferente, com possível supressão do desejo e da excitação sexual. Porém com melhora da fertilidade e dos níveis hormonais em mulheres com Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP)", completa Danilo.

Perda rápida de peso e seus riscos

As canetas emagrecedoras vêm ajudando muitas pessoas a melhorar o estilo de vida, mas os médicos não se cansam de alertar que a perda de peso muito rápida pode trazer diversos riscos para a saúde e afetar o desejo sexual. Até porque, a queda da libido não é exclusiva dos medicamentos para emagrecimento e pode ocorrer em qualquer situação de déficit energético e nutricional importante. "Nesta situação podem ocorrer alterações no eixo hormonal reprodutivo. Em mulheres, isso pode ser perceptível com alterações da menstruação e, em homens, pode ocorrer redução da produção de testosterona. E é por isso que o recomendável é a perda de peso gradual e sustentável", explica.

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Outras atividades

Além da questão sexual, também vemos muitas pessoas se queixarem de desânimo e perda de interesse por atividades prazerosas enquanto fazem uso de alguma caneta, e Danilo afirma que existem algumas possibilidades para isso. Uma delas é a hipótese de alteração na percepção de recompensa e motivação. "Como esses medicamentos reduzem a busca por alimentos e atuam em circuitos cerebrais relacionados à recompensa, existe a possibilidade de que, em algumas pessoas, outros comportamentos prazerosos também sejam afetados. Até o momento, porém, essa é uma hipótese que ainda precisa de confirmação em estudos clínicos", diz. Outra possibilidade é o próprio impacto do tratamento, com os efeitos adversos: náuseas, ingestão alimentar muito reduzida, fadiga, perda rápida de peso, sono inadequado ou deficiência nutricional podem diminuir a disposição.

A libido caiu e agora?

Quando se percebe a queda na libido durante o processo de emagrecimento, Patrícia Carneiro, ginecologista e sexóloga da AMO, em Salvador, afirma que é preciso olhar para essa mudança de forma mais ampla, já que muitos pacientes também relatam menos disposição, cansaço e redução do interesse no geral. "Isso é importante porque a sexualidade não depende apenas dos hormônios: ela também depende de energia, sono, humor, autoestima, imagem corporal, relacionamento e disposição física. Se a libido caiu, vale investigar sono, alimentação, humor, relacionamento, medicamentos e condições ginecológicas, além de conversar com o médico que acompanha o emagrecimento. E, claro, cuidar também do prazer: conhecer o próprio corpo, investir em intimidade, fantasias, brinquedos sexuais ou terapia sexual pode ajudar a reconstruir uma vida sexual prazerosa. Emagrecer deve significar cuidar da saúde como um todo — e não perder peso às custas de perder energia, vitalidade e qualidade de vida", conclui Patrícia.

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