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Câncer de ovário pode parecer má digestão? Veja 4 sinais

Inchaço abdominal, sensação de saciamento rápido e dor pélvica persistente costumam ser mascarados como má digestão; entenda

9 set 2026 - 10h52
Resumo
O câncer de ovário costuma ser diagnosticado em fases tardias por apresentar sintomas facilmente confundidos com problemas digestivos, como saciedade precoce, inchaço persistente, dor pélvica e alterações urinárias ou intestinais. Especialistas alertam que a recorrência desses sinais exige investigação ginecológica imediata, pois a detecção precoce amplia as chances de cura. O acompanhamento médico periódico e a testagem genética são fundamentais para o diagnóstico ágil e assertivo.

Especialistas alertam para quando o desconforto exige uma investigação ginecológica

Conhecido como uma doença silenciosa, o câncer de ovário raramente apresenta sintomas nos seus estágios iniciais. Esse tipo de tumor costuma mascarar os sinais justamente por se parecerem com problemas digestivos ou urinários corriqueiros. Com isso, é extremamente comum que mulheres passem meses tomando antiácidos, ajustando a dieta por conta própria ou com a ajuda de consultas com gastroenterologistas antes de considerar uma visita ao ginecologista, o que atrasa o diagnóstico e reduz o sucesso do tratamento.

Foto: Revista Malu

A falta de informação sobre a doença é real, como apontou o relatório internacional The Every Woman Study (liderado pelo World Ovarian Cancer Coalition), comprovando que apenas 26% das mulheres entrevistadas tinham algum conhecimento sobre o câncer de ovário antes de receberem o diagnóstico. Como consequência disso, estima-se que 70% dos casos sejam descobertos apenas em estágios avançados (III ou IV), quando as chances de sobrevida e cura caem drasticamente.

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Uma das doenças mais letais

A doença representa a sétima neoplasia mais frequente e uma das mais letais entre as mulheres no mundo, com risco ao longo da vida estimado em 1 para 782. Embora ocorra predominantemente após os 50 anos, entre 15% e 20% dos casos estão associados a mutações genéticas hereditárias, com destaque para os genes BRCA1 e BRCA2.

"Mulheres com alterações nos genes BRCA têm um risco significativamente aumentado. A testagem genética não só viabiliza estratégias preventivas - com o aconselhamento para cirurgia redutora de risco ou acompanhamento personalizado -, mas também orienta a escolha do tratamento, permitindo o uso de terapias de precisão. Conhecer o histórico familiar e identificar as mutações genéticas pode transformar a abordagem da doença", destaca Gustavo Guida, geneticista da Dasa Genômica e do laboratório Sérgio Franco, no Rio de Janeiro.

A seguir, especialistas detalham os quatro principais sintomas que se confundem com desconforto gástrico e indicam quando ligar o sinal de alerta.

1 - Sensação de empachamento e saciedade precoce

Sentir-se excessivamente "cheia" logo no início das refeições, mesmo tendo consumido uma quantidade muito pequena de alimento.

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2 - Aumento progressivo do volume abdominal

Ocorre um inchaço abdominal persistente ou uma distensão (sensação de barriga estufada) que não estão relacionados com ganho de peso proporcional no restante do corpo.

3 - Dor ou desconforto pélvico e abdominal

Dores frequentes ou sensação de pressão constante na região abaixo do umbigo e na pelve facilmente confundidas com cólicas intestinais.

4 - Alterações no hábito intestinal e urgência urinária

Mudanças repentinas na rotina do intestino (prisão de ventre ou diarreia) acompanhadas pelo aumento da frequência ou urgência para urinar.

"É importante notar a frequência desses episódios, pois um incômodo gástrico costuma ser passageiro. Porém, os sinais do câncer de ovário podem ocorrer com frequência, muitas vezes, quase diariamente. E esse é o alerta que merece investigação, incluindo a avaliação ginecológica", comenta a ginecologista e obstetra Martha Calvente, da clínica CDPI, da Dasa, no Rio de Janeiro.

Para a prevenção da doença, a radiologista Deborah Monteiro, especialista em oncoginecologia no Alta Diagnósticos, no Rio de Janeiro, afirma que o acompanhamento periódico com o ginecologista e a realização de exames de imagem podem contribuir. "Como não existe um exame de rastreamento universal para mulheres assintomáticas, a recomendação é manter a rotina de consultas e exames como a ultrassonografia transvaginal. Além dela, a ressonância magnética da pelve nos permite avaliar os ovários com mais detalhes e caracterizar cistos mais complexos ou lesões sólidas que passariam despercebidas em exames mais básicos, diferenciando lesões benignas daquelas que são suspeitas para neoplasia", detalha.

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    Câncer de ovário e outros tumores ginecológicos no Brasil

    No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima, para o triênio 2026-2028, cerca de 37 mil novos casos de tumores ginecológicos, entre eles o de ovário, útero e endométrio, que representam o conjunto de neoplasias de maior impacto na saúde feminina no país. O câncer do colo do útero lidera as estatísticas como o terceiro mais incidente entre as brasileiras, seguido pelo tumor de endométrio (o sexto mais frequente) e pelo câncer de ovário (o oitavo mais comum).

    Por trás da alta prevalência do câncer do colo do útero - de cerca de 19 mil novos diagnósticos por ano - está o Papilomavírus Humano (HPV), vírus sexualmente transmissível responsável por praticamente todos os casos da doença. Diferente de outras neoplasias, o câncer do colo uterino é altamente prevenível por meio da imunização e do diagnóstico precoce de lesões precursoras. 

    "A vacina contra o HPV é capaz de proteger as pessoas dos subtipos virais de maior risco oncogênico antes mesmo que ocorra a exposição ao vírus", destaca Alberto Chebabo, infectologista dos laboratórios Sérgio Franco e Bronstein. O médico explica que o imunizante quadrivalente, oferecido pelo SUS a crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, protege-os de quatro tipos (6, 11, 16 e 18), enquanto o nonavalente (disponível na rede privada) protege de nove tipos (6, 11, 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58). 

    "Garantir a imunização em adolescentes e a atualização da rotina vacinal em adultos, aliada ao exame preventivo e ao teste de DNA para detecção do HPV, é a estratégia mais eficaz para evitar mortes por uma doença perfeitamente evitável", pontua Chebabo. 

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    Conscientização é fundamental

    Para Jaime Kulak, ginecologista do Laboratório Frischmann Aisengart, a conscientização sobre os sinais, a importância da vacinação e o acompanhamento ginecológico periódico ganham reforço durante as ações do Setembro em Flor, movimento dedicado à prevenção e ao combate dos cânceres ginecológicos. 

    "Paralelamente às ações preventivas, temos a personalização do tratamento, guiada pela correta classificação histológica e pelo perfil molecular dos tumores como importantes aliados da saúde feminina, uma vez que isso nos ajuda a elevar as taxas de sobrevida e garantir melhor qualidade de vida às pacientes", finaliza o especialista.

    Revista Malu
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