A caminhada 6-6-6 viralizou ao propor uma rotina estruturada com seis minutos de aquecimento, 60 de passos rápidos e repetição em até seis dias, sugerindo a prática às 6h ou 18h. O método auxilia no emagrecimento, na saúde cardiovascular e na prevenção de doenças crônicas. Especialistas destacam que o apelo está nas metas claras, mas ressaltam que o horário exato é irrelevante: o essencial para obter resultados é a consistência e a adaptação gradual do ritmo ao condicionamento de cada pessoa.
Uma nova maneira de caminhar para emagrecer e cuidar da saúde ganhou espaço nas redes sociais. Conhecida como caminhada 6-6-6, a estratégia transforma uma atividade simples em uma rotina estruturada, sem exigir academia ou equipamentos específicos.
Como funciona a caminhada 6-6-6?
A proposta, portanto, estabelece períodos para preparar o corpo, acelerar o passo e diminuir o ritmo ao final do exercício. Não se sabe a origem exata da tendência e existem pequenas variações nas orientações. De maneira geral, o método propõe:
- 6 minutos de aquecimento;
- 60 minutos de caminhada em ritmo acelerado;
- Prática às 6h ou às 18h;
- Repetição em até seis dias da semana.
Ter etapas e horários definidos pode facilitar a inclusão do exercício no dia a dia. Em entrevista à revista 'Health', Libby Richards, professora da Escola de Enfermagem da Universidade Purdue, explicou por que desafios desse tipo costumam chamar atenção.
"Há algo nos desafios baseados em números que realmente atrai as pessoas. As pessoas tendem a ser motivadas por desafios que estabelecem metas concretas e mensuráveis", afirmou.
Entretanto, não é necessário acordar cedo apenas para cumprir a fórmula. Segundo a especialista, encontrar um período que realmente se encaixe no dia a dia é mais importante. "O melhor horário para caminhar é aquele em que você consegue manter o hábito. Não se trata de caminhar precisamente às 6h da manhã ou às 18h, mas sim de criar consistência", detalhou.
Caminhada 6-6-6 realmente ajuda a emagrecer?
A caminhada aumenta o gasto energético e, portanto, pode contribuir para a perda de peso. O resultado, contudo, depende de fatores como alimentação, intensidade do exercício e balanço energético. Um estudo de 2021 associou caminhadas de intensidade moderada a vigorosa, realizadas durante 50 minutos quatro vezes por semana, à redução do peso e da gordura abdominal.
Além disso, a intensidade interfere no esforço exigido do organismo. Por isso, quem está começando deve adaptar a velocidade ao próprio condicionamento, em vez de tentar acompanhar um ritmo que provoque desconforto.
Por que existem 6 minutos antes e depois?
O aquecimento e a desaceleração são dois pontos importantes da estratégia. Antes da caminhada, aumentar o ritmo aos poucos prepara músculos e sistema cardiovascular para o exercício. No final, reduzir gradualmente a intensidade ajuda o organismo a retornar ao estado de repouso.
A Associação Americana do Coração recomenda reservar entre cinco e dez minutos tanto para aquecer quanto para desacelerar. Portanto, os seis minutos previstos pela rotina estão dentro desse intervalo.
Benefícios vão além de emagrecer
Caminhar regularmente não precisa ter o emagrecimento como único objetivo. A atividade também pode favorecer a saúde cardiovascular, fortalecer ossos e músculos e melhorar o condicionamento físico. Um pesquisa publicado em 2025 associou cerca de 7 mil passos diários à redução do risco de diferentes doenças crônicas, entre elas problemas cardiovasculares e demência.
Isso não significa, contudo, que seja preciso começar fazendo 60 minutos de exercício. Para quem está sedentário ou encontra dificuldade em cumprir uma hora, Richards recomendou iniciar com períodos menores e aumentar o tempo gradualmente. "Qualquer aumento na caminhada é um passo na direção certa", afirmou.
O especialista reforçou ainda que os efeitos positivos estão ligados principalmente à prática regular de atividade física, e não ao fato de o exercício acontecer especificamente às 6h ou às 18h. A fórmula, então, pode funcionar como uma maneira simples de organizar a rotina e estabelecer metas. Como resumiu Lennert Veerman, professor de saúde pública da Universidade Griffith, à 'Health': "Qualquer exercício físico que as pessoas façam — e continuem fazendo — é eficaz."