A atriz Beth Goulart compartilhou, recentemente, uma reflexão sobre sua relação com a espiritualidade, e contou que seu primeiro contato consciente com a doutrina espírita aconteceu ainda na adolescência. Segundo ela, a leitura de 'O Livro dos Espíritos', de Allan Kardec, não representou uma descoberta, mas sim a confirmação de algo que, de alguma forma, já fazia sentido dentro dela.
"Com 13 anos eu li 'O Livro dos Espíritos', de Allan Kardec. Quando eu li, falei: 'Ué, já sabia disso'. O livro, na verdade, foi uma confirmação pra mim", relembrou, em entrevista publicada no perfil Brilhe a Vossa Luz. Para a atriz, essa experiência trouxe serenidade ao seu modo de compreender a existência e fortaleceu sua percepção sobre a vida espiritual.
A ideia de que o espírito vai além do corpo
Beth explica que a leitura despertou uma compreensão que ultrapassava aquilo que havia aprendido apenas pela experiência de vida. Ela afirma que, naquele momento, passou a entender o espírito como algo que carrega uma trajetória muito maior do que a existência física.
"Essa confirmação foi fundamental pra eu ter uma tranquilidade com o meu saber espiritual. Eu compreendi que meu espírito era muito mais velho do que meu corpo, por exemplo", afirmou. "Eu tinha 13 anos quando li aquilo. Como já poderia saber? Isso não veio da minha experiência física, veio da minha experiência espiritual", refletiu.
Segundo ela, foi nesse período que começou a enxergar a existência de uma espécie de herança espiritual compartilhada por todas as pessoas. "Lá, eu compreendi essa ancestralidade espiritual que a gente recebe, esse saber extra além de nós, que todos nós temos acesso", completou.
Uma espiritualidade presente desde a infância
Beth contou que o interesse pelos temas espirituais também faz parte da história de sua família. Ela relembrou que a bisavó era médica e espírita, enquanto sua mãe, a atriz Nicette Bruno, desenvolveu a mediunidade desde muito cedo.
Ao recordar uma história da infância da mãe, a atriz contou que, aos quatro anos, ela surpreendeu a família ao tocar uma composição de Chopin no piano, sem nunca ter aprendido formalmente. A avó teria interpretado o episódio com naturalidade, dizendo: "Normal, essa menina é médium". Mais tarde, sua mãe aprofundou esse caminho espiritual e chegou a presidir um centro espírita em São Paulo.
O conhecimento espiritual como um aprendizado contínuo
Apesar da influência familiar, a atriz destaca que sua busca nunca ficou restrita a uma única fonte de conhecimento. Ao longo da vida, ela afirma ter estudado diferentes autores e tradições, sempre em busca de ampliar sua compreensão sobre a espiritualidade. "O conhecimento não acaba. Fui aprofundando essas experiências espirituais de uma forma muito pessoal. Fui bebendo em várias fontes", contou.
"O importante é subir a montanha"
Hoje, Beth Goulart acredita que diferentes religiões podem conduzir ao mesmo propósito: a conexão com o divino. Para explicar sua visão, ela costuma recorrer a uma metáfora. "Hoje, eu costumo dizer que acredito em Deus como fonte primordial da existência. E acho que a religião é como uma grande montanha: não importa de que lado você vai subir, o importante é que suba, porque todos vão dar no mesmo lugar", concluiu.
A fala da atriz reflete uma visão espiritual baseada no respeito às diferentes crenças e na ideia de que a busca pelo autoconhecimento e pela conexão com Deus pode seguir caminhos diversos, sem perder seu significado.