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Beth Goulart fala sobre luto e legado deixado pelos pais: 'Não é por acaso'

Beth Goulart relembrou os ensinamentos de Nicette Bruno e Paulo Goulart, refletiu sobre o poder transformador da arte diante do luto

17 jun 2026 - 18h11

Existem famílias que deixam marcas não apenas pela trajetória profissional, mas pelos valores que cultivam ao longo da vida. Em entrevista ao LeoDias TV, a atriz Beth Goulart compartilhou memórias sobre seus pais, os atores Nicette Bruno e Paulo Goulart, e refletiu sobre os aprendizados que recebeu dentro de casa. Entre histórias de amor, superação e arte, suas palavras trouxeram uma importante reflexão sobre como seguir em frente após uma grande perda.

Beth Goulart emocionou ao falar sobre o legado de amor deixado por seus pais, Nicette Bruno e Paulo Goulart
Beth Goulart emocionou ao falar sobre o legado de amor deixado por seus pais, Nicette Bruno e Paulo Goulart
Foto: Reprodução/Instagram / Bons Fluidos

Quando a arte se transforma em acolhimento

A morte de uma pessoa amada costuma provocar uma profunda reorganização emocional. Em 2014, quando Paulo Goulart faleceu após décadas de união com Nicette Bruno, Beth viu a mãe enfrentar um dos períodos mais delicados de sua vida.

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Naquele momento, a atriz precisou tomar uma decisão difícil. Diante da gravidade do estado de saúde do pai, ela interrompeu temporariamente o espetáculo que apresentava sobre a escritora Clarice Lispector para dedicar atenção à família. "Vou deixar a Clarice dormindo porque eu precisava me dedicar à mamãe", recordou.

Observando o sofrimento da mãe, Beth encontrou na própria arte uma forma de ajudá-la a reencontrar sentido e vitalidade. Ela adaptou e dirigiu uma peça baseada na obra Perdas e Ganhos, da escritora Lya Luft, convidando Nicette para protagonizar o espetáculo.

A iniciativa nasceu da convicção de que continuar vivendo também é uma forma de homenagear quem partiu. "Eu disse: 'Trabalho é vida'. Preciso trazer a mamãe de volta para a vida, mostrar a força dela no palco. A melhor homenagem que se pode prestar a quem partiu é viver", afirmou.

O legado que vai além da fama

Ao recordar a história dos pais, Beth destacou que a herança mais valiosa deixada por eles não está nos prêmios, personagens ou décadas de carreira, mas na forma como construíram sua relação. Casados por mais de 60 anos, Nicette Bruno e Paulo Goulart se tornaram referência de parceria dentro e fora dos palcos. Segundo a atriz, a conexão que os unia era percebida tanto pelo público quanto por quem convivia com eles no dia a dia.

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"Eles tinham uma química no palco e fora dele. Eram muito amorosos, muito generosos. Essa energia de amor, carinho, respeito e fé foi transmitida para nós. Esse é o nosso grande legado, uma referência de pessoas que trabalham com amor. Não é por acaso que todos nós nascemos na mesma família", disse.

A fala chama atenção para algo que muitas vezes passa despercebido: os valores transmitidos dentro de casa costumam impactar gerações inteiras. Respeito, afeto e generosidade tendem a se perpetuar por meio dos exemplos cotidianos muito mais do que por qualquer discurso.

A importância das histórias que emocionam

Durante a entrevista, Beth também refletiu sobre as mudanças na forma como consumimos entretenimento. Para ela, a chegada das plataformas digitais e o ritmo acelerado da vida moderna transformaram a maneira como as pessoas se relacionam com as narrativas.

Segundo a atriz, antigamente era comum reunir a família diante da televisão para acompanhar uma novela, comentar os acontecimentos e criar conexões emocionais com os personagens. Hoje, o consumo costuma ser mais individual e imediato.

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Na sua avaliação, essa mudança influenciou a própria construção das produções audiovisuais. "As pessoas não querem mais passar muito tempo assistindo. Sentimos falta de pausas nas cenas, de um tempo maior para aprofundar o tema. Hoje, a informação ficou mais importante do que a emoção", concluiu.

A reflexão dialoga com uma questão cada vez mais presente na sociedade contemporânea: em meio à velocidade das informações, talvez seja justamente a emoção que continue dando significado às histórias que escolhemos guardar na memória.

E a trajetória de Nicette Bruno, Paulo Goulart e Beth Goulart parece confirmar essa ideia. Afinal, alguns legados não permanecem apenas nas telas. Eles sobrevivem nos vínculos construídos, nos valores compartilhados e na capacidade de transformar amor em inspiração para as próximas gerações.

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