Por muito tempo, acreditou-se que manter animais de estimação dentro de casa poderia aumentar o risco de doenças em crianças pequenas. No entanto, pesquisas mais recentes vêm mostrando que essa relação pode ser justamente o contrário. Um novo estudo publicado na revista Pediatric Allergy and Immunology indica que bebês que crescem ao lado de cães tendem a apresentar menos infecções respiratórias, menos episódios de febre e menor necessidade de tratamento com antibióticos durante o primeiro ano de vida.
Os resultados reforçam a ideia de que a convivência com os animais pode influenciar positivamente o desenvolvimento do sistema imunológico desde os primeiros meses de vida.
O que a pesquisa descobriu?
Para chegar a essa conclusão, cientistas acompanharam 368 bebês desde o nascimento até completarem um ano de idade. Durante o estudo, coletaram amostras da poeira das residências quando as crianças tinham dois meses de vida. O objetivo era identificar os microrganismos presentes no ambiente doméstico.
Ao longo dos 12 meses seguintes, os pesquisadores também monitoraram a saúde dos participantes por meio de questionários semanais, registrando episódios de febre, infecções, uso de antibióticos e o estado geral de saúde.
A influência dos microrganismos trazidos pelos cães
Os pesquisadores analisaram 14 grupos de microrganismos - sendo 12 bacterianos e dois fúngicos - que costumam estar com maior frequência em lares onde há cães.
Os resultados mostraram que oito desses grupos ajudavam a explicar parte da relação entre a presença do animal e melhores indicadores de saúde. Dependendo do microrganismo, a influência esteve associada a menos semanas com febre, menor necessidade de antibióticos ou mais períodos em que os bebês permaneceram saudáveis.
Quando avaliaram três espécies de bactérias em conjunto, elas chegaram a explicar até 25% da redução no uso de antibióticos observada entre as crianças que conviviam com cães.
Entre os destaques está a bactéria do gênero Pasteurella, encontrada naturalmente na boca de cães e gato. Ela apareceu associada a menos episódios de febre e menor necessidade de medicamentos. Outro grupo bacteriano, o Collinsella, relacionou-se a mais semanas de boa saúde, redução de infecções de ouvido e menor uso de antibióticos.
Os autores do estudo resumiram a principal descoberta ao afirmar que "gêneros específicos de bactérias e fungos associados a cães na poeira doméstica, e não a sua riqueza, explicavam em parte as associações entre ter cães e uma menor prevalência de infecções respiratórias".
O estudo não prova causa e efeito
Apesar dos resultados promissores, os próprios pesquisadores fazem um importante alerta. O trabalho identificou uma associação entre a convivência com cães e uma melhor saúde infantil. Mas isso não significa que uma coisa seja, necessariamente, a causa da outra.
Por isso, ainda serão necessários novos estudos para entender exatamente como os microrganismos presentes nas casas com cães podem influenciar o desenvolvimento da imunidade dos bebês.
Ainda assim, a pesquisa reforça uma hipótese que vem ganhando força na ciência. O contato equilibrado com a diversidade de microrganismos presentes no ambiente pode contribuir para o amadurecimento do sistema imunológico nos primeiros anos de vida.