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Bebês que moram com cachorros usam menos antibióticos, aponta estudo

Convivência com cães nos primeiros meses de vida foi associada a menos infecções respiratórias, febre e uso de antibióticos em um novo estudo

5 ago 2026 - 12h10

Por muito tempo, acreditou-se que manter animais de estimação dentro de casa poderia aumentar o risco de doenças em crianças pequenas. No entanto, pesquisas mais recentes vêm mostrando que essa relação pode ser justamente o contrário. Um novo estudo publicado na revista Pediatric Allergy and Immunology indica que bebês que crescem ao lado de cães tendem a apresentar menos infecções respiratórias, menos episódios de febre e menor necessidade de tratamento com antibióticos durante o primeiro ano de vida.

Estudo sugere que bebês que convivem com cães apresentam menos necessidade de antibióticos no primeiro ano de vida
Estudo sugere que bebês que convivem com cães apresentam menos necessidade de antibióticos no primeiro ano de vida
Foto: Reprodução: FatCamera/Getty Images Signature / Bons Fluidos

Os resultados reforçam a ideia de que a convivência com os animais pode influenciar positivamente o desenvolvimento do sistema imunológico desde os primeiros meses de vida.

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O que a pesquisa descobriu?

Para chegar a essa conclusão, cientistas acompanharam 368 bebês desde o nascimento até completarem um ano de idade. Durante o estudo, coletaram amostras da poeira das residências quando as crianças tinham dois meses de vida. O objetivo era identificar os microrganismos presentes no ambiente doméstico.

Ao longo dos 12 meses seguintes, os pesquisadores também monitoraram a saúde dos participantes por meio de questionários semanais, registrando episódios de febre, infecções, uso de antibióticos e o estado geral de saúde.

A influência dos microrganismos trazidos pelos cães

Os pesquisadores analisaram 14 grupos de microrganismos - sendo 12 bacterianos e dois fúngicos - que costumam estar com maior frequência em lares onde há cães.

Os resultados mostraram que oito desses grupos ajudavam a explicar parte da relação entre a presença do animal e melhores indicadores de saúde. Dependendo do microrganismo, a influência esteve associada a menos semanas com febre, menor necessidade de antibióticos ou mais períodos em que os bebês permaneceram saudáveis.

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Quando avaliaram três espécies de bactérias em conjunto, elas chegaram a explicar até 25% da redução no uso de antibióticos observada entre as crianças que conviviam com cães. 

Entre os destaques está a bactéria do gênero Pasteurella, encontrada naturalmente na boca de cães e gato. Ela apareceu associada a menos episódios de febre e menor necessidade de medicamentos. Outro grupo bacteriano, o Collinsella, relacionou-se a mais semanas de boa saúde, redução de infecções de ouvido e menor uso de antibióticos.

Os autores do estudo resumiram a principal descoberta ao afirmar que "gêneros específicos de bactérias e fungos associados a cães na poeira doméstica, e não a sua riqueza, explicavam em parte as associações entre ter cães e uma menor prevalência de infecções respiratórias".

O estudo não prova causa e efeito

Apesar dos resultados promissores, os próprios pesquisadores fazem um importante alerta. O trabalho identificou uma associação entre a convivência com cães e uma melhor saúde infantil. Mas isso não significa que uma coisa seja, necessariamente, a causa da outra.

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Por isso, ainda serão necessários novos estudos para entender exatamente como os microrganismos presentes nas casas com cães podem influenciar o desenvolvimento da imunidade dos bebês.

Ainda assim, a pesquisa reforça uma hipótese que vem ganhando força na ciência. O contato equilibrado com a diversidade de microrganismos presentes no ambiente pode contribuir para o amadurecimento do sistema imunológico nos primeiros anos de vida.

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