A moda encontrou a arte em sua forma mais literal na noite desta quinta-feira (18), na Galeria Raquel Arnaud, em São Paulo. Em vez de um desfile tradicional, pessoas de diferentes idades ocuparam o espaço em uma performance para apresentar a nova edição do projeto Moda de Artista, da estilista Fernanda Yamamoto, desta vez em parceria com a artista visual Carla Chaim.
Vestidos, camisas, blusas e casacos em preto e branco ganhavam vida à medida que os corpos se moviam pela galeria. As peças revelavam seu principal elemento criativo: dobraduras inspiradas no trabalho de Carla Chaim, artista conhecida por suas investigações minimalistas com papel. O resultado foi uma apresentação que reforçou a ideia de que roupa também pode ser linguagem artística.
À primeira vista, as criações chamavam atenção pelos volumes inesperados. Abas que avançavam para além do corpo, estruturas que pareciam suspensas e um jogo gráfico entre preto e branco faziam algumas peças lembrar esculturas em movimento. Conforme os participantes circulavam pelo espaço, as formas se transformavam, revelando sombras, contrastes e novas perspectivas.
A parceria entre Fernanda Yamamoto e Carla Chaim nasceu justamente do interesse em transportar para o vestuário as pesquisas da artista com dobraduras, tensões e ocupação do espaço. Em vez de recorrer a estampas ou reproduções de obras, o processo buscou traduzir para a modelagem e para a construção das roupas a lógica presente nos trabalhos da artista.
O resultado aparece em uma coleção enxuta, composta por blusa, vestido, camisa e casaco, todos apresentados em duas versões. O preto e o branco dominam a proposta e ajudam a evidenciar as dobras, que surgem e desaparecem conforme o movimento do corpo. Todas as peças são dupla-face. Já à venda, a blusa custa R$2.390; a camisa, R$ 3,9 mil; o vestido, R$ 4.280; e o casaco, R$ 5,9 mil.
Para alcançar esse efeito, foram desenvolvidos tecidos exclusivos de dupla face. Em algumas peças, o preto aparece na superfície e revela o branco em seu interior; em outras, o caminho é inverso. Quando as dobraduras se abrem, o contraste se torna parte fundamental da composição.
A coleção também explora diferentes pesos e texturas. Alguns tecidos mais estruturados remetem à firmeza do papel e ajudam a sustentar os volumes, enquanto a organza de seda acrescenta transparência e leveza. O diálogo entre rigidez e fluidez cria peças que parecem mudar de forma conforme são observadas.
Essa relação entre estrutura e movimento é um dos pontos centrais da coleção. As modelagens amplas e desconstruídas foram pensadas para que as dobraduras se transformem durante o uso. O casaco reversível resume bem essa proposta. Ao ser usado do avesso, revela detalhes normalmente escondidos da construção da roupa, ampliando o diálogo entre interior e exterior.
Com curadoria do artista Nino Cais, o projeto Moda de Artista investiga há anos os encontros entre moda e artes visuais. Depois das colaborações com o próprio Nino e com Lia Chaia, a parceria com Carla Chaim amplia essa pesquisa.
Com informações da assessoria de imprensa da grife