O desfile cruise 2027 da Louis Vuitton movimentou o museu The Frick Collection, em Nova York, na noite desta quarta-feira (20). Com direção criativa de Nicolas Ghesquière, a coleção fez uma ponte entre Paris e Nova York, misturando referências da cultura pop americana, alfaiataria francesa e obras do artista Keith Haring. Aliás, a cidade tem chamado a atenção de grandes grifes. No sábado (16) foi a vez da Gucci fechar a Times Square para seus desfile. Em dezembro, Matthieu Blazy levou a apresentação Métiers d'Art da Chanel a uma estação de metrô;
Entre as convidadas, nomes como Anne Hathaway, Emily Blunt, Cate Blanchett e Zendaya. Com looks bem diferentes entre si, elas apostaram em uma cor em comum: o cinza, que promete seguir em alta no inverno.
O Brasil foi bem representado na passarela. A sergipana Ellen Borges, de Aracaju, reforçou seu espaço entre os principais nomes da nova geração da moda internacional. Aos 26 anos, a modelo já soma trabalhos para marcas como Jacquemus, Burberry, Loewe e Vivienne Westwood, além de temporadas em Paris, Milão e Londres. A top desfilou com look verde e roxo, uma das combinações vibrantes que dominaram a apresentação.
Antes da moda, Ellen trabalhou em mercearias, lanchonetes e até com entregas de bicicleta em Sergipe. Foi descoberta em 2017, ao acompanhar uma prima interessada em entrar para o mercado fashion. Hoje, integra o casting da WAY Model, mesma agência de tops como Carol Trentini, Alessandra Ambrosio e Candice Swanepoel.
Outra brasileira no desfile foi a baiana Larissa Moraes, de Salvador. Aos 20 anos, ela já acumula no currículo desfiles para Valentino, Jean Paul Gaultier, Balmain, Dior, Miu Miu, Balenciaga e a própria Louis Vuitton. A modelo cruzou a passarela com blazer estampado com imagens de Keith Haring (1958-1990), conhecido pelos grafites coloridos e em preto e branco que ganharam destaque nos metrôs de Nova York nos anos 1980. As obras do artista apareceram em roupas e acessórios, reforçando a conexão entre luxo e cultura pop.
A ideia de levar os trabalhos de Haring para a coleção surgiu após Ghesquière descobrir nos arquivos da maison uma mala da década de 1930 transformada em tela pelo artista. Daí nasceu a ideia de conectar os contrastes entre Paris e Nova York, uptown e downtown, passado e futuro. O estilista revisitou elementos clássicos do guarda-roupa americano, como jeans, couro e tricôs, reinterpretados pelo savoir-faire francês.
Entre os destaques, apareceram referências à Era Dourada americana, grafites transformados em bordados e paetês, além de acessórios inspirados em caça-níqueis e chassis de automóveis. Os salões históricos do Frick, com forte influência francesa, foram o palco ideal para contrapor a tradição europeia à energia nova-iorquina que guiou a coleção.
Cores elétricas iluminaram looks de ar jovem, construídos com técnicas históricas da maison. Entre os destaques da coleção, as bolsas em formato de caixa de molho de tomate, de discos de vinil e de luvas de boxes. Chapéus, minissaias jeans com babados usados com paletó de couro, peças amarradas na cintura e ênfase na região dos ombros, com blusas usadas como capas curtas marcaram o desfile.
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