Com quase metade dos brasileiros mantendo rotina de cuidados com a pele, mercado investe em fórmulas que unem ingredientes naturais e tecnologia cosmética
O skincare deixou de ser apenas uma prática pontual e passou a integrar a rotina de cuidados de parte da população. Nos últimos anos, o hábito ganhou força no Brasil e levou quase metade dos brasileiros a manter uma rotina regular de cuidados com a pele, segundo pesquisa da Opinion Box. O dado ajuda a explicar o ritmo de lançamentos de novas combinações de ativos no mercado de cosméticos.
Com a influência do skincare coreano, as tendências no Brasil têm seguido fórmulas que combinam ingredientes naturais e tecnologia cosmética. Entre as apostas recentes está a argila vermelha com partículas de ouro. A combinação que une um mineral de origem natural a um metal utilizado em formulações dermatológicas.
Como funciona a Argila vermelha
Os fabricantes de cosméticos utilizam a argila vermelha, rica em óxidos de ferro, em produtos voltados à limpeza, ao equilíbrio da oleosidade e à uniformização do tom da pele. Pesquisadores do setor cosmético estudam a incorporação de partículas de ouro às fórmulas, geralmente em forma de nanopartículas, avaliando essas estruturas microscópicas por sua estabilidade e compatibilidade com a pele.
O dermatologista Fábio Gontijo explica que o uso do ouro na dermatologia estética vem sendo pesquisado há anos. "As nanopartículas de ouro têm mostrado boa estabilidade e compatibilidade com a pele. Elas podem atuar como agentes antioxidantes, ajudando a reduzir o estresse oxidativo, além de favorecer a entrega de outros ativos presentes na fórmula. Misturadas aos ingredientes minerais, ocorre uma sinergia em que a argila promove limpeza e equilíbrio. Já o o ouro pode contribuir para potencializar a ação regeneradora e anti-inflamatória do produto", destaca
Urandir Fernandes, CEO da Kion Cosmetics, marca desenvolvida a partir da argila vermelha com partículas de ouro, afirma que a proposta da linha surgiu da ideia de aprofundar o uso de um único ativo central. "A proposta foi explorar as possibilidades da argila vermelha, que não se limita ao cuidado com o rosto. Seus usos podem se estender à pele e ao cabelo. Por isso, optamos por desenvolver uma linha com a mesma base mineral, criando produtos multifuncionais com identidade e coerência. Em vez de dispersar ativos, escolhemos trabalhar um único elemento em diferentes aplicações dentro de uma proposta de cuidado contínuo".