As diferentes formas de enxergar a vida dentro de uma mesma família voltaram a chamar atenção após Ana Maria Braga falar, no Fantástico, sobre algumas escolhas da filha, Mariana Maffeis. Durante a entrevista, a apresentadora contou que nem sempre concorda com a maneira como a filha cria os quatro filhos, mas deixou claro que respeita suas decisões e sente orgulho da mulher que ela se tornou.
Depois da repercussão, Mariana decidiu explicar como realmente vive e afirmou que muitas pessoas criaram uma imagem distorcida sobre sua rotina. Em entrevista à Quem, ela disse que costuma ser rotulada como alguém que leva uma vida extremamente simples ou radical, algo que, segundo ela, não corresponde à realidade.
Ana Maria reconhece diferenças, mas destaca respeito
No programa, uma das participantes perguntou à apresentadora como Mariana a faz refletir sobre valores e escolhas pessoais. "A minha filha é um caso muito especial, graças a Deus. A Mariana é uma menina muito inteligente. E ela fez as escolhas dela, tanto no casamento, como eu fiz as minhas, quanto no parto das crianças", respondeu Ana Maria.
Em seguida, ela comentou que sempre teve receio da decisão da filha de realizar partos domiciliares. "Ela fez a opção de ter parto natural, em casa, sem ninguém, o que, para mim, é um perigo. Porque você não tem um apoio ou a possibilidade de, se tiver um problema, ter alguém para ajudar a resolver. Pode ser uma coisa muito séria", afirmou.
Outro aspecto citado foi a educação dos netos. Ana Maria revelou que as crianças cresceram com um acesso bastante limitado aos dispositivos eletrônicos. "Ela também optou por criar os filhos dela da forma dela. Eles não usam nenhum equipamento eletrônico", contou. Embora admita que faria escolhas diferentes, a apresentadora ressaltou que respeita a autonomia da filha.
"Eu acho que é radical demais, mas eu não sou a mãe das crianças. E ela dá outras opções todas para as crianças, que é a convivência com a natureza, com a vida de um jeito diferente. Ela vai ter os frutos disso no futuro. E eu fico muito orgulhosa dos netos e da filha que tenho."
"Não levo uma vida simples"
Mariana, por sua vez, afirma que o público costuma associar sua rotina à falta de conforto, quando, na verdade, sua decisão de morar em Botucatu, no interior de São Paulo, está ligada à busca por bem-estar. "As pessoas se enganam muito comigo, pois é vendida uma imagem de mim que não condiz com a realidade. Hoje queremos apenas rotular os outros para facilitar nossa vida e percepção dela. E ainda os meios de comunicação reforçam toda essa dinâmica", disse.
"Canso de falar: não levo vida simples nenhuma. Temos acesso a tudo do bom e do melhor: comida, roupas, casa, estudos, experiências. Não há simplicidade nenhuma, e sim muita elaboração! Que eu não fique ostentando preços e etiquetas não quer dizer que dispenso os luxos da vida. Muito pelo contrário!"
Na visão da professora de yoga, o verdadeiro privilégio está em poder respirar ar puro e viver em um ambiente mais tranquilo. "Escolhi viver afastada do grande centro urbano justamente por querer viver o bom e o melhor da vida que, a meu ver, são o bom ar e a boa água, aliados a uma cidade e bairro que nos proporcionam atualmente tudo que poderíamos precisar e mais."
O que significa criar filhos com menos telas?
Um dos pontos que mais desperta curiosidade é a forma como Mariana lida com a tecnologia dentro de casa. Apesar da fama de criar os filhos "sem telas", ela explica que essa descrição simplifica demais sua realidade. "Essa ideia de que vivemos 'sem telas' acaba me fazendo parecer radical, mas não é assim. Eu uso celular para administrar minha família, produzir conteúdo e moderar nosso canal no YouTube."
Ela conta que os filhos assistem a filmes, mas de forma planejada. "Em casa, assistimos a filmes, cuidadosamente selecionados, em DVD. Temos uma DVDteca com obras de diretores como Hayao Miyazaki e Michel Ocelot. Assistimos juntos, normalmente uma vez por semana."
Já em relação ao celular, Mariana tem uma regra bastante definida. "Sou categórica: criança não tem celular". Ela explica que pretendia entregar o primeiro aparelho à filha mais velha apenas aos 16 anos, mas antecipou a decisão por causa das necessidades escolares e das viagens para festivais de música.
Preservar a infância
Segundo Mariana, limitar o acesso aos dispositivos eletrônicos não significa rejeitar a tecnologia, mas preservar experiências que considera importantes para o desenvolvimento infantil. "Hoje vejo muitas crianças juntas que poderiam estar brincando, mas ficam imóveis olhando para uma tela. A infância é sagrada e precisa ser vivida como infância."
Ela acredita que o excesso de telas pode reduzir oportunidades de criatividade e imaginação. "Na minha visão, quando damos livre acesso aos dispositivos, tiramos das crianças a capacidade de criar seus próprios universos, usar a imaginação e desenvolver plenamente suas capacidades cognitivas e sensoriais."
Escolhas diferentes podem coexistir
Ao comentar as declarações da mãe, Mariana afirmou que não enxerga uma grande distância entre as visões das duas sobre educação. "Não acredito que minha mãe e eu tenhamos ideias tão diferentes sobre criação de filhos. Compartilhamos uma maneira autêntica, fundamentada no amor, no respeito e na admiração."
Para ela, o mais importante é que cada uma vive realidades diferentes e que o respeito sempre esteve presente na relação. Mais do que seguir um modelo pronto, ela afirma buscar uma vida coerente com seus próprios valores, conciliando natureza, educação, espiritualidade e presença na criação dos filhos.