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Alterações no comportamento de pets podem sinalizar problemas de saúde

Aprenda a reconhecer sinais de alerta

26 jun 2026 - 13h49
Resumo
Uma pesquisa revela que muitos tutores medicam pets por conta própria ou recorrem à internet, o que pode atrasar diagnósticos e agravar problemas. Mudanças sutis no comportamento de cães e gatos, como isolamento ou perda de apetite, podem indicar doenças. Especialistas alertam para a importância de buscar ajuda profissional e evitar a automedicação. 🐾

Mudanças discretas na rotina de cães e gatos podem antecipar sintomas e exigem atenção para evitar atraso no diagnóstico

Uma pesquisa Radar Pet, realizada pela Comissão de Animais de Companhia do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Comac/Sindan) com 1.751 tutores brasileiros, mostrou que 19% dos entrevistados medicam seus animais por conta própria e 9% recorrem à internet quando percebem algum problema de saúde. O levantamento também apontou que 37% observam o pet por três dias antes de decidir como agir.

Foto de James Barker na Unsplash
Foto de James Barker na Unsplash
Foto: Revista Malu

Diante desse cenário, o médico-veterinário Rodrigo Krhom alerta que esperar sintomas evidentes ou tentar resolver o problema em casa pode atrasar o diagnóstico e agravar o quadro clínico. Nem sempre os primeiros sinais de desconforto aparecem por meio de vômito, diarreia, febre ou choro. Alterações aparentemente pequenas, como dormir mais, interagir menos, perder interesse por brincadeiras, se esconder ou mudar hábitos cotidianos, também podem indicar que algo não vai bem.

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"Muitas vezes, os primeiros sinais aparecem no comportamento antes mesmo de surgirem sintomas clássicos. Os responsáveis normalmente conhecem muito bem o padrão do próprio animal. Por isso, aquela sensação de que ele não está normal merece atenção", afirma Krhom, que atua em clínica médica e bem-estar de cães e gatos.

A orientação é compatível com as diretrizes da American Animal Hospital Association (AAHA), que recomenda avaliar a dor em cães e gatos por meio da combinação de indicadores comportamentais, fisiológicos e contextuais. Em material publicado em 2026, a entidade destacou que alterações de comportamento podem ser o único sinal perceptível de diversas doenças em felinos.

Pequenas mudanças podem revelar desconforto

Um gato que passa a se esconder com maior frequência pode estar lidando com dor, estresse ou insegurança. Já um cachorro que evita subir no sofá, passear ou brincar como antes pode apresentar desconforto articular, problemas na coluna, lesão muscular ou até mesmo dor interna.

Lambedura excessiva em determinada região do corpo, irritabilidade, alterações no sono, redução da interação social, mudança na vocalização e perda de apetite também merecem atenção, especialmente quando persistem, se repetem ou fogem claramente do padrão habitual. "O animal raramente fala por meio do choro. Na maioria das vezes, ele se comunica pela mudança de comportamento", explica o médico-veterinário.

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Segundo Krhom, cães e gatos tendem a esconder fragilidades. Essa característica pode criar a falsa impressão de que uma doença surgiu repentinamente, quando o organismo já vinha demonstrando sinais discretos havia algum tempo.

Demora pode agravar emergências

Algumas situações exigem avaliação rápida. Alterações urinárias, respiratórias ou neurológicas, intoxicações e dores agudas podem evoluir em pouco tempo. Um gato com obstrução urinária, por exemplo, pode inicialmente apresentar apenas inquietação, isolamento ou dificuldade para usar a caixa de areia, mas o quadro pode se transformar em uma emergência grave.

Problemas dermatológicos, gastrointestinais e ortopédicos também podem piorar quando os sintomas iniciais são minimizados ou tratados em casa sem orientação profissional. "Quanto antes o animal recebe ajuda, maior é a chance de tratar o problema com menos sofrimento, menos risco e, muitas vezes, de maneira mais simples", afirma Krhom.

Automedicação oferece riscos

A facilidade de acesso a informações em redes sociais e sites de busca pode incentivar decisões equivocadas. Sintomas semelhantes podem ter causas completamente diferentes, o que torna arriscado administrar medicamentos sem avaliação individualizada. A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, alerta que analgésicos de uso humano não devem ser oferecidos a animais sem orientação veterinária.

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Em cães, medicamentos como aspirina, ibuprofeno e naproxeno podem causar problemas gastrointestinais e danos ao fígado e aos rins. Gatos são ainda mais sensíveis a determinados princípios ativos. O paracetamol, por exemplo, pode ser fatal para felinos. "A internet pode ajudar na educação e na conscientização, mas nunca substitui o exame clínico, a interpretação médica e a avaliação individualizada do paciente. A automedicação pode mascarar sintomas, atrasar o diagnóstico e dificultar o tratamento", alerta Krhom.

Observar não significa viver em alerta constante

Para perceber alterações precocemente, o tutor deve conhecer o padrão habitual do animal: como ele dorme, come, caminha, brinca, interage e reage às situações cotidianas. A recomendação não é transformar qualquer comportamento isolado em motivo de preocupação, mas procurar orientação quando uma mudança persiste ou chama atenção.

Isolamento, falta de interesse por atividades, redução do apetite, lambedura excessiva, mudanças repentinas de humor, dificuldades urinárias ou alterações respiratórias não devem ser ignorados. "Cães e gatos raramente adoecem de uma hora para outra. Na maioria das vezes, eles tentam avisar aos poucos. Os sinais nem sempre aparecem por meio de uma dor evidente, mas no silêncio e nas pequenas alterações da rotina. É justamente nessa fase inicial que conseguimos intervir com mais qualidade, menos sofrimento e melhores chances de recuperação", conclui o médico-veterinário.

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