Vocês já perceberam como, frequentemente, a gente chama agitação mental de ansiedade?
São conceitos diferentes. E é importante que a gente saiba disso quando há suspeita de TDAH ou quando já existe um diagnóstico confirmado.
A ansiedade tem muito mais a ver com a sensação de que a nossa mente está sempre prevendo um cenário muito negativo. Algo muito ruim vai acontecer logo mais e, por isso, eu me mantenho hipervigilante, preocupado.
Já a agitação mental é a sensação de que o pensamento está sempre muito acelerado em várias direções. Não necessariamente prevendo desfechos ruins, mas funcionando de forma multidirecional, quase intrusiva e invasiva.
Ansiedade não é a mesma coisa que agitação mental
No contexto do TDAH, a gente pode ter a agitação mental típica do transtorno associada a sintomas ansiosos que, inclusive, justificam tratamento.
Isso acontece especialmente quando temos um TDAH que não foi diagnosticado e tratado ao longo de muitos anos.
Nesses casos, muitas crenças de incapacidade acabam sendo estabelecidas. Aos poucos, o cérebro passa a prever desfechos negativos para atividades cotidianas.
Isso pode gerar, sim, sintomas ansiosos e depressivos que também podem ser tratados.
Mas ansiedade é diferente de agitação mental.
Como a agitação mental aparece no TDAH
A agitação mental no TDAH não se resolve apenas quando tratamos os sintomas ansiosos.
Ela se mantém porque faz parte desse padrão de funcionamento neurodivergente.
Por isso, o tratamento precisa ser direcionado ao próprio TDAH e pode incluir psicoestimulantes, entre outras abordagens individualizadas.
Então, qual será o tratamento medicamentoso? Qual será a abordagem não medicamentosa?
Isso é muito variável. Tudo vai depender do contexto do paciente e de uma série de fatores que realmente precisam ser individualizados.
O que a vida moderna faz com o nosso cérebro
Agora, fugindo um pouquinho do contexto neurodivergente do TDAH e trazendo a reflexão para a vida cotidiana de um cérebro típico (ou seja, sem condições como TDAH, autismo e outras neurodivergências), vale observar como a nossa rotina tem funcionado.
Vivemos em um ritmo acelerado, cercados de tarefas e expostos às telas por tempo excessivo.
Frequentemente, isso faz com que a gente normalize um padrão de agitação mental como se fosse o nosso funcionamento natural e saudável.
Como se fosse normal manter múltiplas abas abertas o tempo todo.
Mas não é.
A gente precisa cultivar momentos de descanso, momentos de presença e, principalmente, momentos de flow.
São aqueles momentos em que conseguimos ficar tão absorvidos por uma atividade que mantemos a atenção sustentada por mais tempo.
Isso é profundamente satisfatório para o nosso cérebro e pode ser uma importante fonte de bem-estar, tranquilidade e felicidade.
Leitura Recomendada: Perfeccionismo: neurologista defende o desconforto de não ser tão bom assim