Lula revoga decreto de concessão de hidrovias amazônicas à iniciativa privada

Ambientalistas e comunidades indígenas viam riscos aos rios; agronegócio aponta os cursos d'água como estratégicos para escoar a produção

23 fev 2026 - 19h22
(atualizado às 23h06)

BRASÍLIA - O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou nesta segunda-feira, 23, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva revogou o Decreto nº 12.600, que inclui no Programa Nacional de Desestatização (PND) as hidrovias dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós. Na prática, o dispositivo, em vigor desde agosto de 2025, autorizava o governo a realizar a concessão da manutenção da navegabilidade dos rios para a iniciativa privada. A decisão será publicada na próxima edição do Diário Oficial da União.

De acordo com Boulos, que concedeu entrevista para a imprensa no Palácio do Planalto ao lado da ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, a revogação do decreto se deu após pressão feita por povos indígenas que habitam regiões próximas aos rios. Segundo o chefe da Secretaria-Geral, Lula, que está em viagem à Coreia do Sul, conversou com os auxiliares e se mostrou favorável à medida.

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Sítio arqueológico

Segundo Guajajara, outro ponto que motivou a revogação do decreto foi a existência de um sítio arqueológico que poderia ser afetado pelas ações da iniciativa privada.

Desde janeiro, indígenas ocupam o complexo portuário de Santarém, em Santarém (PA) para protestar contra o decreto do governo federal. Na madrugada de sábado, 21, eles entraram no terminal da Cargill, empresa multinacional do ramo do agronegócio.

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