O Yangtzé é o rio mais longo da Ásia e a artéria vital de 400 milhões de pessoas. Mas, durante sete décadas, foi tratado como uma fonte inesgotável de recursos e um depósito de lixo: com indústrias espalhadas por suas margens e despejando resíduos, a pesca excessiva esvaziando suas populações e represas bloqueando a passagem de suas espécies migratórias.
O resultado foi devastador, com a provável extinção de espécies como o golfinho-de-rio-chinês e o peixe-espátula-chinês. Em 2021, o governo decidiu intervir com uma medida drástica: a proibição total da pesca em todo o curso do rio.
Desde 2021, vigora uma proibição da pesca comercial por dez anos no curso principal, nos afluentes e nos grandes lagos da bacia. Um estudo recente publicado na revista Science comparou 57 trechos do rio antes e depois da proibição e descobriu que a quantidade de peixes no rio mais que dobrou. E não apenas os peixes: a toninha-sem-barbatanas-do-Yangtzé, um mamífero típico do rio, também teve um aumento de 33% em sua população entre 2017 e 2022.
A questão da toninha é um indicador dos avanços: por ser um predador, sua recuperação indica que toda a cadeia alimentar do rio está se reabilitando e não apenas um elo isolado. Steven Cooke, biólogo e coautor do estudo, afirma que nunca antes havia sido testada uma proibição total da pesca nessa escala, o que transforma o Yangtzé em um experimento único que pode ser replicado em outros grandes rios degradados, como Mekong e Amazonas.
A deterioração do ...
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