Como a China conseguiu salvar o rio mais longo da Ásia do colapso ecológico

A poluição e a pesca predatória quase destruíram o Yangtzé; modelo de recuperação pode ser replicado no rio Amazonas, diz biólogo

11 ago 2026 - 14h11
Rio Yangtzé
Rio Yangtzé
Foto: Fxqf (Wikimedia Commons) e Zhangmoon618 (Wikimedia Commons) / Xataka

O Yangtzé é o rio mais longo da Ásia e a artéria vital de 400 milhões de pessoas. Mas, durante sete décadas, foi tratado como uma fonte inesgotável de recursos e um depósito de lixo: com indústrias espalhadas por suas margens e despejando resíduos, a pesca excessiva esvaziando suas populações e represas bloqueando a passagem de suas espécies migratórias.

O resultado foi devastador, com a provável extinção de espécies como o golfinho-de-rio-chinês e o peixe-espátula-chinês. Em 2021, o governo decidiu intervir com uma medida drástica: a proibição total da pesca em todo o curso do rio.

Publicidade

Desde 2021, vigora uma proibição da pesca comercial por dez anos no curso principal, nos afluentes e nos grandes lagos da bacia. Um estudo recente publicado na revista Science comparou 57 trechos do rio antes e depois da proibição e descobriu que a quantidade de peixes no rio mais que dobrou. E não apenas os peixes: a toninha-sem-barbatanas-do-Yangtzé, um mamífero típico do rio, também teve um aumento de 33% em sua população entre 2017 e 2022.

A questão da toninha é um indicador dos avanços: por ser um predador, sua recuperação indica que toda a cadeia alimentar do rio está se reabilitando e não apenas um elo isolado. Steven Cooke, biólogo e coautor do estudo, afirma que nunca antes havia sido testada uma proibição total da pesca nessa escala, o que transforma o Yangtzé em um experimento único que pode ser replicado em outros grandes rios degradados, como Mekong e Amazonas.

A deterioração do ...

Veja mais

Publicidade

Matérias relacionadas

Quem é que está lucrando com a onda de calor na Europa? A China, claro

Na Espanha, apenas 1 de 30 aves ameaçadas de extinção sobrevive no habitat natural após criação em cativeiro

Eles percorreram 2.500 km em um carro elétrico e chegaram a uma conclusão difícil: o motor a combustão continua imbatível na estrada

Uma fabricante europeia surpreende: seu avanço nos veículos elétricos impulsiona a marca a um patamar histórico

Em 1950, Portugal plantou eucaliptos para estabilizar seus solos. Sem saber, multiplicou a velocidade com que os incêndios se propagam

Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se