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A força árabe que levou a Williams ao topo

Se a Williams se tornou grande, contou com uma forte ajuda da Arábia Saudita. Mas como foi isso? Segue o texto

30 nov 2021 20h17
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A bandeira árabe foi agitada junto da britânica no Canadá
Foto: F1 / Twitter

Quando Alan Jones cruzou a linha de chegada do GP do Canadá de 1980, um fato chamou a atenção: a bandeira da Arábia Saudita foi empunhada ao lado a da Grã-Bretanha. Os pilotos já não comemoravam com champagne a pedido dos patrocinadores, mas aquele ato foi bem simbólico. E cabe explicar o porquê disso.

Em 1976, após anos lutando com poucos recursos, Frank Williams havia feito um acordo com o milionário canadense do ramo petrolífero, Walter Wolf (sem parentesco algum com Toto Wolff) para uma equipe de F1. Wolf entraria com o dinheiro e Williams, com a operação. Mas as coisas não foram como o esperado e Wolf "expulsou" Frank do time, tornando-se oficialmente equipe Wolf.

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Por um momento, Frank Williams ficou desnorteado. Mas como isso não era de seu feitio, juntou os cacos e decidiu seguir na F1. Para 1977, com a ajuda de amigos, fundou a Williams Grande Prix Engineering, tendo como sócio um jovem engenheiro chamado Patrick Head, vindo do ramo náutico, após alguns anos na Lola e que já estava no seu esquema desde 1975. 

Inicialmente, o esquema era extremamente simples e até comum para a época: pegaram o patrocínio trazido pelo belga Patrick Neve, da cervejaria Belle Vue, compraram um March 761 com motor Ford Cosworth, arranjaram uns mecânicos e estrearam no GP da Espanha. O objetivo era fazer 10 corridas e se garantir para 1978.

Mas algo maior vinha sendo costurado. Com a ajuda de amigos, Frank Williams descobriu que um dos príncipes sauditas vinham com frequência em Londres. À época, os países árabes estavam tendo altos lucros com a venda de petróleo e investiam nos mais diversos ramos, colocando em circulação os chamados petrodólares.

Mas seu contato inicial foi com um responsável em Londres pela empresa aérea saudita, a Saudia. E com as ideias pintadas por Frank, convenceu seus chefes que a F1 seria um ótimo instrumento de divulgação. Aí um singelo adesivo no aerofólio traseiro com a marca da aérea saudita tomou lugar no carro.

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FW06, o primeiro Williams com apoio árabe
Foto: Overhead F1 / Twitter

Ao longo de 1977, Head e Neil Oatley (que mais tarde seria o responsável pelos carros da McLaren de 1989 a 1997) trabalharam no que seria o primeiro carro próprio do time, o FW06. No final  daquele ano, se juntaria ao time um tal de Ross Brawn, como um simples operador de máquina....

Mas com o FW06 praticamente pronto e o contato estabelecido com os árabes, Frank conseguiu descobrir que um dos príncipes árabes estava em Londres. Com a ajuda de uma empresa de publicidade, pintou o carro com as cores da Arábia Saudita e colocou em frente ao hotel. Foi o necessário para que a Arábia Saudita entrasse em peso na F1.

Do apoio inicial da Saudia, vieram os apoios do operador do aeroporto de Riad, da Technologie d’Avant Gard (do negociante de petróleo Mansour Ojjeh) e também de uma das empresas Bin Laden. Finalmente, Frank Williams teria os fundos necessários para tocar uma equipe de F1 de modo decente.

Em 1978, a equipe chamou a atenção com aquele carro branco com faixas azuis e verdes. Alinhava somente um piloto, Alan Jones. Quando o FW06 apareceu na Argentina, muita gente engoliu em seco, pois muitos achavam que era um blefe de Frank Williams. Inclusive Emerson Fittipaldi, que foi acossado na Holanda por ele, que dizia "ter um apoio de um grupo de árabes que paga o que você quiser para pilotar pra mim".

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Foi um ano razoável, com 11 pontos marcados e um 2o lugar em Long Beach. Mas o grande salto viria em 1979: a Williams também entrou no grupo dos carros com "efeito solo" e copiou a Lotus 78. Mas conseguiu achar alguns detalhes (especialmente a carenagem na parte debaixo do carro, perto do motor) e obteve sua primeira vitória, no GP da Gra-Bretanha, com Clay Regazzoni. O FW07 mostrou ser muito forte, vencendo mais 4 corridas com Alan Jones ao terceiro lugar no campeonato de pilotos e a Williams ao vice-campeonato nos Construtores.

Para 1980, não houve para mais ninguém. Graças a um trabalho muito bem feito no túnel de vento por Frankie Dernie e fazendo as saias funcionarem perfeitamente para maximizar o efeito solo, Jones bateu Piquet com 5 vitórias e ganhou o título daquele ano, com a Williams também chegando na frente nos Construtores, com quase o dobro de pontos do 2º lugar, a Ligier (120 x 66).

Sem o apoio saudita, este crescimento vertiginoso não teria sido possível. Aí se explica o ato da bandeira da Arabia Saudita ser empunhada com orgulho no circuito Gilles Villeneuve para comemorar aquele dia. Seria uma bela homenagem da F1 neste fim de semana justamente quando se faz a primeira corrida em solo saudita lembrar deste laço que une o país a este ícone da F1 chamado Frank Williams que nos deixou esta semana. 

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