O Viveiro Municipal de Porto Alegre alcançou a marca de 100 espécies nativas cultivadas em seu espaço. Com papel estratégico para a biodiversidade e conservação ambiental da capital, a instituição também atua ativamente na proteção da flora ao abrigar e desenvolver 15 espécies de árvores que estão atualmente ameaçadas de extinção.
O Viveiro Municipal, administrado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus), atingiu a marca de 100 espécies de árvores nativas em produção. Entre as espécies, estão em produção 15 ameaçadas de extinção, três consideradas raras e duas protegidas por legislação estadual, cujo corte é proibido no Rio Grande do Sul.
"A diversidade de espécies amplia as possibilidades de arborização e recuperação ambiental em Porto Alegre. Com mais opções de árvores nativas, podemos escolher espécies mais adequadas ao solo, à drenagem e à exposição solar de cada área, valorizando também aquelas mais próximas das características naturais de cada região da cidade", argumenta a diretora de Áreas Verdes, Verônica Riffel. Esta estratégia aumenta as chances de sucesso dos projetos de arborização de espaços urbanos e também de recuperação de Áreas de Preservação Permanente (APPs).
Entre as espécies protegidas contra o corte no Estado e produzidas pelo Viveiro estão a corticeira-do-banhado (Erythrina crista-galli) e a corticeira-da-serra (Erythrina falcata). A com maior número de mudas em produção é a caroba (Jacaranda micrantha), árvore nativa da região sul. "A partir da localização e marcação das árvores matrizes, que são aqueles exemplares adultos, saudáveis, resistentes e bem adaptados, realizamos a coleta de sementes e passamos a produzir a muda, desde a germinação, no Viveiro. Como as sementes são coletadas de exemplares saudáveis e monitorados, as mudas produzidas tendem a apresentar características semelhantes às árvores de origem, oferecendo maior previsibilidade para a arborização urbana", explica o engenheiro agrônomo Rogério Schmidt, chefe da equipe de produção vegetal do Viveiro.
Produção de mudas - O trabalho para alcançar a produção de 100 espécies envolve um processo contínuo de pesquisa, identificação e produção. As equipes localizam e marcam árvores matrizes, realizam a coleta de sementes e acompanham todo o desenvolvimento das plantas, desde a germinação até o momento em que as mudas estão prontas para o plantio.
O ciclo completo de produção de uma árvore, da semente até a muda pronta para ser plantada, pode levar, em média, cinco anos. O processo começa com a germinação das sementes. Depois, as mudas são transferidas para tubetes, recipientes com aproximadamente 13 centímetros de comprimento, onde permanecem durante cerca de seis meses. Na segunda etapa, as plantas são transferidas para vasos de sete litros e permanecem ali por aproximadamente um ano e meio. Depois, seguem para recipientes de 21 litros, onde recebem nutrientes durante cerca de um ano. A fase final ocorre em vasos de 50 litros, nos quais podem permanecer por até dois anos.
A variedade de espécies nativas contribui para a conservação da biodiversidade, favorecendo o equilíbrio climático e ambiental e oferecendo abrigo e alimento para diferentes espécies da fauna.
Viveiro Municipal - Criado em agosto de 1977 e revitalizado em 2023, o Viveiro Municipal fica no bairro Lomba do Pinheiro. Com cerca de 3,5 hectares, o espaço é responsável pela produção de mudas destinadas a diferentes projetos de arborização e paisagismo urbano, além da recuperação de áreas degradadas e preservação ambiental.
A qualificação da estrutura permitiu ampliar a variedade de espécies e aprimorar as técnicas utilizadas durante o crescimento das plantas.
Texto: Aline Czarnobay/Prefeitura de Porto Alegre