Ucrânia aposta em drones de IA alemães para combater os russos

4 jul 2026 - 17h26
(atualizado às 18h01)

Empresa alemã de defesa vem fabricando drones de combate para a Ucrânia e, em breve, também os fornecerá para as Forças Armadas da Alemanha. A DW acompanhou testes dos equipamentos em pleno combate.Em uma faixa de floresta, dois soldados ucranianos - um técnico e um eletricista - acoplam asas a uma grande caixa preta. O equipamento é um drone de combate HX-2, do fabricante alemão Helsing, equipado com inteligência artificial.

Soldado ucraniano lança um drone de combate HX‑2 em direção a Pokrovsk
Soldado ucraniano lança um drone de combate HX‑2 em direção a Pokrovsk
Foto: DW / Deutsche Welle

A startup bilionária da Baviera está fornecendo milhares desses drones às Forças Armadas da Ucrânia, financiados pelo governo alemão. As Forças Armadas da Alemanha também assinaram recentemente com a Helsing um contrato de vários milhões de euros.

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No início do ano, reportagens críticas sobre os drones apareceram na mídia ocidental, incluindo veículos alemães. Elas citavam soldados ucranianos que teriam identificado problemas técnicos durante testes realizados no ano passado. Segundo uma reportagem do jornal Die Welt, muitos drones não estavam aptos para voo ou caíam pouco depois da decolagem. A taxa de acerto também teria sido baixa. A reportagem citava soldados ucranianos que combatem na linha de frente no leste da Ucrânia.

O fabricante, contudo, refutou essas informações. "Membros das Forças Armadas da Ucrânia estão testando o drone HX-2 na linha de frente, juntamente com funcionários da Helsing", declarou um porta-voz à DW no fim de janeiro. Segundo ele, os primeiros resultados dos testes foram "encorajadores".

Operação de combate perto de Pokrovsk

Os soldados olham repetidamente para um detector instalado em uma árvore. O equipamento monitora drones russos que sobrevoam sua posição.

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Dentro de um abrigo, outros dois soldados - um piloto e um navegador - preparam o lançamento do drone alemão. Eles ligam laptops e monitores e também organizam uma sequência de luzes para criar um pouco de ambiente. A equipe opera em um setor da linha de frente na região carbonífera de Donbass, no leste da Ucrânia. O Exército russo está avançando.

"Nossa missão é destruir as rotas logísticas deles", afirma o piloto e comandante, conhecido pelo codinome Black.

Inicialmente, a Helsing forneceu seu modelo anterior e mais simples, o HF-1, desenvolvido em parceria com um fabricante ucraniano. Na época, o pedido incluía 4 mil drones. No início de 2025, a empresa alemã anunciou a entrega de mais 6 mil drones do novo modelo HX-2. A equipe de Black, que atualmente opera o HX-2, já havia utilizado o HF-1. O HX-2 é descrito como rápido e ágil.

"Ele nos dá uma grande vantagem no ar - para o inimigo é mais difícil derrubá-lo", diz o comandante ucraniano.

A aquisição de alvos é realizada com o auxílio de inteligência artificial. "Normalmente voamos em direção ao alvo indicado pelos pilotos dos drones de reconhecimento. No entanto, o sistema HX-2 consegue identificar alvos de forma independente. Ainda assim, ele não consegue determinar se um alvo já foi destruído ou não", explica Black.

Após o piloto confirmar o alvo selecionado pela inteligência artificial, o drone continua o voo de forma autônoma. Segundo o comandante, o HX-2, como a maioria dos drones, é vulnerável à guerra eletrônica.

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Os militares ucranianos entrevistados pela DW identificaram diversas deficiências nos drones, mas não querem divulgá-las publicamente. "Representantes do fabricante virão em breve para investigar. Temos um canal de suporte com eles", afirma o comandante.

Em resposta a um pedido da DW, a Helsing informou que os drones HX-2 ainda "não voaram em quantidade suficiente na linha de frente para permitir uma avaliação fundamental de seu desempenho em condições reais de guerra". A empresa acrescentou que os drones estão sendo adaptados às condições do campo de batalha, especialmente às medidas de guerra eletrônica constantemente alteradas pelo lado adversário.

A Helsing não respondeu ao pedido da DW no final de abril sobre a taxa atual de acertos do HX-2.

Problemas no lançamento

A equipe escolheu cuidadosamente o dia para o voo do HX-2, levando em conta a velocidade do vento, as precipitações e a cobertura de nuvens. O tempo está limpo. O drone deve voar várias dezenas de quilômetros para dentro da parte da região de Donetsk ocupada pela Rússia.

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Algumas horas depois, a equipe finalmente recebe a ordem de lançamento. No entanto, o drone não é lançado pela catapulta. O motor não dá partida, informa o eletricista pelo rádio.

Juntamente com o técnico, ele tenta novamente e, desta vez, o drone decola. Inicialmente, houve um problema de conexão com a estação terrestre, algo que ocasionalmente acontece com esse tipo de equipamento, explica Oleksandr Karpyuk, sargento-chefe da unidade.

Acerto em melhores condições climáticas

Apesar da previsão favorável, o céu volta a ficar encoberto e o piloto do drone enfrenta dificuldades de navegação. O teste precisa ser interrompido.

Na missão seguinte, quando o repórter da DW já não estava presente, a equipe conseguiu atingir um caminhão com sucesso. A operação foi registrada por um drone de reconhecimento, e os militares mostraram o vídeo. Eles atribuem o sucesso às melhores condições climáticas em comparação com a missão anterior.

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Karpyuk relata que o modelo HF-1 também apresentou resultados insatisfatórios no início, mas que o fabricante respondeu às avaliações da equipe e aprimorou o produto. Como resultado, o HF-1 passou a atingir mais de 50% dos alvos na área da linha de frente de Pokrovsk.

Questionado se continuaria trabalhando com esse drone, Karpyuk responde que sim. Na sua avaliação, os russos atualmente não possuem um modelo comparável ao HX-2. Como exemplo, ele cita o drone kamikaze russo Lancet.

"No Lancet, o motor fica na parte traseira - é um motor propulsor. As asas, também montadas atrás, controlam o drone. Apenas a Helsing equipou seus drones com quatro motores voltados para a frente. Por quê? Porque isso lhes proporciona maior manobrabilidade e velocidade", afirma Karpyuk.

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