Trump impõe novo bloqueio a navios iranianos em Ormuz

13 jul 2026 - 17h21
(atualizado às 19h10)

Presidente americano acusa Teerã de violar trégua, anuncia taxa de 20% sobre cargas e amplia tensão em disputa pelo estreito, rota de parte vital do petróleo mundial.O presidente americano, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (13/07) o restabelecimento imediato de um bloqueio a navios que entram ou saem do território e portos iranianos, sob a alegação de que o Irã violou a trégua entre os dois países.

Crianças iranianas brincam nas águas do estreito de Ormuz após explosão nas imediações
Crianças iranianas brincam nas águas do estreito de Ormuz após explosão nas imediações
Foto: DW / Deutsche Welle

Em sua rede social, Trump afirmou que os Estados Unidos passarão a ser conhecidos como "O GUARDIÃO DO ESTREITO DE ORMUZ" e cobrarão dos navios de carga uma taxa de 20%, necessária "para realizar o trabalho de proporcionar proteção e segurança a esta região tão volátil do mundo".

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Segundo Trump, o bloqueio impedirá apenas que navios iranianos deixem a hidrovia. Os demais países deverão continuar tendo acesso "justo e aberto" ao estreito de Ormuz, "com ou sem o Irã".

O Irã, por sua vez, insiste que está no controle da via estratégica e classificou a cobrança como abusiva. No fim de semana, a Guarda Revolucionária iraniana afirmou que o estreito permanecerá fechado por tempo indeterminado, até o fim da intervenção americana na região.

Cessar-fogo distante

A estreita passagem é uma rota fundamental para o transporte global de petróleo e gás natural liquefeito, e qualquer interrupção tem repercussões significaticas em todo o mundo.

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A guerra começou no fim de fevereiro, quando EUA e Israel lançaram ataques contra o Irã. Em resposta, Teerã restringiu o acesso a Ormuz por meio de ameaças e ataques contra embarcações. Até então, um quinto do petróleo e do gás consumidos no mundo passava pelo estreito. A interrupção provocou alta nos preços globais da energia, dos fertilizantes e de outros produtos.

Em abril, os EUA fizeram um bloqueio aos portos iranianos, com o intuito de sufocar as exportações de petróleo do país.

Em meados de junho, como parte de um acordo preliminar com o Irã voltado à negociação de um cessar-fogo duradouro, esse bloqueio havia siso suspenso. O Irã havia garantido a segurança da passagem durante 60 dias, sem tarifas para embarcações comerciais.

Desde então, porém, novos ataques contra navios no estreito foram registrados, de ambos os lados.

De quem é o estreito?

O estreito de Ormuz é considerado águas internacionais e não pertence a nenhum Estado específico.

Especialistas em direito marítimo defendem que a liberdade de navegação por esse tipo de passagem é um princípio fundamental da ordem internacional.

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A Organização Marítima Internacional (IMO), agência das Nações Unidas responsável pela supervisão do transporte marítimo internacional, reiterou sua oposição à cobrança de pedágios para a passagem por hidrovias internacionais e informou que está observado o desenrolar dos fatos.

"Não existe base legal para a introdução de tarifas obrigatórias simplesmente para transitar por um estreito", afirmou a entidade em comunicado.

Antes da guerra, os EUA sustentavam que o estreito deveria permanecer aberto a todos e sem cobrança de tarifas, como ocorria até então.

O Irã sustenta que tem o direito de administrar o tráfego no estreito e potencialmente cobrar tarifas, a partir do acordo provisório de paz. O país prometeu reagir a qualquer interferência dos EUA.

sf (AP, dpa)

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