O Sistema Único de Saúde (SUS) no Rio Grande do Sul passa por uma modernização tecnológica com a introdução de coletes ortopédicos 3D para o tratamento conservador de escoliose em crianças e adolescentes. A iniciativa, coordenada pela Secretaria da Saúde (SES), utiliza o robô Router CNC para confeccionar órteses personalizadas por meio de escaneamento digital do corpo dos pacientes. O método pioneiro na rede pública atinge 80% de eficácia no controle da curvatura da coluna vertebral, o que evita a necessidade de intervenções cirúrgicas de alta complexidade.
A tecnologia é direcionada a pacientes em fase de crescimento que apresentam entre 25 e 45 graus de Cobb, medida padrão para classificar a gravidade da patologia. Os dispositivos tridimensionais contam com câmaras de expansão internas e áreas de alívio planejadas para reduzir a rotação da coluna e corrigir o alinhamento corporal de forma integral. Esse formato anatômico garante maior conforto e mobilidade quando comparado aos modelos tradicionais, eliminando as limitações físicas e os riscos associados à fixação cirúrgica com pinos e hastes.
Os atendimentos centralizam-se na Associação Cristã de Deficientes Físicos (ACD), localizada em Passo Fundo, instituição que adquiriu o maquinário industrial com recursos próprios para suprir a demanda do Estado. Até o momento, 71 jovens já receberam o equipamento anatômico após passarem por triagem especializada. O programa atende um público-alvo que abrange a faixa etária de zero a 21 anos, oferecendo uma alternativa terapêutica de alto custo que anteriormente restringia-se apenas ao sistema privado de saúde.
O aporte financeiro destinado ao Programa Tratamento Conservador da Escoliose reflete a expansão da assistência médica no estado, somando R$ 1,2 milhão aplicados em 2025 e uma previsão de R$ 5 milhões adicionais para o decorrer de 2026. A meta estabelecida pela gestão estadual prevê a entrega mensal de 25 novos coletes customizados e a realização de 300 novas consultas até o encerramento do ciclo anual. O monitoramento contínuo visa assegurar que a intervenção preventiva ocorra no tempo oportuno para impedir a progressão da deformidade ortopédica.
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