Japoneses temem escassez de sacos de lixo devido à crise provocada pelo conflito no Oriente Médio

O prolongamento da crise no Oriente Médio começa a preocupar as famílias japonesas. Ao contrário da maioria da população de outros países, os japoneses não temem a falta ou a alta da gasolina. No entanto, a forte dependência do Japão do petróleo da região do Golfo provoca um receio inesperado: a escassez de sacos de lixo.

2 jun 2026 - 14h36

Segundo reportagem da rádio francesa FranceInfo, os japoneses estão realmente preocupados com a eventual falta de sacos de lixo, produzidos com polietileno derivado da nafta. O medo gerou pânico e, em muitas cidades, os moradores estocaram o produto nos últimos dias, levando à ruptura dos estoques em várias regiões.

Japão é conhecido por ter um sistema de coleta e separação de resíduos particularmente rigoroso (imagem ilustrativa).
Japão é conhecido por ter um sistema de coleta e separação de resíduos particularmente rigoroso (imagem ilustrativa).
Foto: ASSOCIATED PRESS - KOJI SASAHARA / RFI

Diante de prateleiras vazias, muitos supermercados foram obrigados a exibir avisos de desculpas aos clientes. Para driblar o fenômeno, vários estabelecimentos implementaram sistemas de racionamento, limitando a compra a dois ou três pacotes por pessoa.

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O ministro japonês do Meio Ambiente, Hirotaka Ishihara, pediu na semana passada que a população evite comprar sacos de lixo doméstico em quantidade maior do que o necessário. Em entrevista coletiva, ele assegurou que o fornecimento necessário está garantido e pediu calma aos consumidores.

O tema foi amplamente abordado na televisão, alimentando a preocupação de parte da população e gerando a corrida aos supermercados.

Sistema rígido de coleta de resíduos

O temor é confirmado por brasileiros que vivem no Japão. No Facebook, a página "BJ da comunidade brasileira no país asiático" explica que a escassez também é provocada por um sistema de coleta e separação de resíduos particularmente rigoroso.

Muitos governos locais japoneses exigem que os moradores utilizem sacos específicos para o descarte de resíduos domésticos. Esses produtos são vendidos com frequência em lojas de conveniência, supermercados e outros estabelecimentos varejistas, indica o post da "Brasileiros no Japão".

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De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, o volume de envio dos principais fabricantes em abril ficou entre 1,1 e duas vezes acima do registrado no mesmo período do ano anterior. Apesar disso, algumas regiões tiveram aumento nas compras de até três vezes.

Esses sacos são relativamente caros, pois incluem uma taxa destinada a financiar o tratamento de resíduos, baseada no princípio de que quanto mais se descarta, mais se paga. O sistema é eficiente, mas também muito rígido, e é justamente nessas localidades que a escassez de sacos de lixo é mais visível.

Os moradores temem que os serviços municipais se recusem a recolher o lixo caso os sacos utilizados não atendam às normas. Por isso, diante da escassez em algumas cidades, prefeituras anunciaram maior flexibilidade e tolerância. Os moradores poderão descartar o lixo doméstico em sacos diferentes dos oficialmente designados nos próximos dias.

Preço da gasolina

A situação indica que o Japão vive a crise no Oriente Médio de forma diferente de outras regiões. Apesar de o país importar mais de 90% do seu petróleo do Oriente Médio, a questão do preço da gasolina não está no centro das preocupações. O país dispõe de reservas estratégicas e, desde o início do conflito, o governo japonês limitou os preços dos combustíveis e compensa os distribuidores pela diferença entre o valor cobrado nas bombas e o preço real do mercado.

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O que mais preocupa é o risco de escassez de produtos derivados do petróleo diretamente afetados por bloqueios no estreito de Ormuz. O Japão deixou de receber alguns componentes destinados aos complexos petroquímicos, especialmente a nafta, utilizada para fabricar o polietileno dos sacos de lixo.

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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