Sobe para 33 número de mortos em ataque russo a centro de ajuda humanitária

3 nov 2026 - 15h56
Resumo
Um ataque russo a um ponto de distribuição de mantimentos em Komyshuvakha, no sul da Ucrânia, deixou ao menos 33 mortos e dezenas de soterrados, configurando provável violação do direito internacional segundo a ONU. A ação fez parte de uma ampla ofensiva noturna com drones e mísseis contra nove regiões, que afetou a infraestrutura de energia e instalações médicas. O bombardeio ocorreu às vésperas de negociações de paz previstas para novembro em Abu Dhabi, mediadas pelos Estados Unidos.

Equipes de resgate seguem procurando sobreviventes sob os escombros na Ucrânia. ONU afirma que civis aguardavam distribuição de mantimentos e aponta possível violação do direito internacional.Ao menos 33 pessoas morreram e dezenas seguem desaparecidas após uma série de ataques russos contra um ponto de distribuição de ajuda humanitária no sul da Ucrânia, informaram nesta terça-feira (03/11) autoridades ucranianas e a missão de direitos humanos da ONU.

ONU diz que ataque pode ter violado direito internacional
ONU diz que ataque pode ter violado direito internacional
Foto: DW / Deutsche Welle

O bombardeio, ocorrido na segunda-feira no vilarejo de Komyshuvakha, na região de Zaporíjia, foi condenado pelas Nações Unidas, que apontaram uma provável violação do direito internacional humanitário.

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Equipes de resgate continuavam as buscas nesta terça-feira entre os escombros de uma antiga escola e de um abrigo atingidos pelas bombas. Segundo o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, mais de 50 pessoas podem estar soterradas.

Os ataques ocorreram enquanto moradores faziam fila para receber mantimentos. A missão de monitoramento dos direitos humanos da ONU afirmou que a Rússia empregou "poderosas bombas planadoras lançadas do ar" e destacou que o horário e o local da distribuição de ajuda foram tornados públicos de antemão.

"Dezenas foram mortas enquanto civis se reuniam para receber ajuda humanitária em Komyshuvakha. O horário e o local da distribuição de ajuda humanitária haviam sido amplamente divulgados", afirmou Danielle Bell, chefe da missão da ONU na Ucrânia.

"Ou as forças armadas russas sabiam que uma distribuição de ajuda humanitária estava ocorrendo, ou deixaram de tomar as medidas mais básicas para descobrir o que estava acontecendo neste vilarejo que planejavam atacar", disse. "Em qualquer um dos casos, esse ataque parece ter violado os princípios mais fundamentais do direito humanitário internacional."

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Zelenski vê tática de duplo impacto

Zelenski classificou o episódio como um dos ataques mais mortais da guerra. Na segunda-feira, ele afirmou que as forças russas bombardearam repetidamente o local, atingindo também o abrigo para onde as pessoas correram após os primeiros ataques, em uma tática conhecida como "duplo impacto".

"A dimensão da tragédia é assustadora", declarou Mykhailo Semikin, chefe interino da administração militar de Zaporíjia. "Esta é uma das piores tragédias em termos de número de vítimas civis em nossa região desde o início da guerra."

Três dias de luto oficial foram decretados na região. Entre os mortos, estão dois socorristas e quatro policiais, segundo Semikin. Pelo menos cinco pessoas ficaram feridas.

O ataque ocorreu após o fim de um cessar-fogo de seis dias na cidade de Oleshky, ocupada pela Rússia, que permitiu a retirada de moradores isolados pelos combates. Foi a trégua mais significativa entre Moscou e Kiev desde 2022.

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"Oferecemos à Rússia a extensão do cessar-fogo em Oleshky, mas esta foi a resposta: novos ataques, novos bombardeios, novos assassinatos de nosso povo", afirmou Zelenski durante visita a Berlim, onde se reuniu com o chanceler federal alemão, Friedrich Merz.

Nova onda de ataques

Enquanto a Ucrânia se preparava para uma nova rodada de negociações de paz mediadas pelos Estados Unidos, uma ampla ofensiva russa durante a noite atingiu diversas regiões do país.

Segundo Zelenski, a Rússia lançou 289 drones de ataque, 17 mísseis balísticos e 59 mísseis de cruzeiro contra nove regiões ucranianas. Os ataques provocaram cortes emergenciais de energia, atingiram hospitais e deixaram dezenas de feridos.

Na região de Kharkiv, no nordeste do país, ataques com mísseis e drones deixaram ao menos 62 feridos, segundo autoridades locais. Um hospital foi danificado, e mais de 200 pacientes precisaram ser transferidos.

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Na região de Dnipro, uma pessoa morreu e outras 17 ficaram feridas após um bombardeio que também atingiu instalações médicas, informaram autoridades regionais.

Infraestrutura energética sob pressão

A ofensiva também teve como alvo usinas de energia e outras instalações críticas às vésperas do inverno. O Ministério da Energia da Ucrânia informou que foram registrados 20 ataques contra infraestrutura energética em dez regiões durante a noite.

A empresa DTEK afirmou que três de suas usinas interromperam as operações devido aos danos.

Do lado russo, o Ministério da Defesa informou ter abatido 856 drones ucranianos durante a madrugada. O prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, disse que 493 drones tinham como alvo a capital russa.

Já um ataque ucraniano com drone feriu dois funcionários de uma refinaria de petróleo em Yaroslavl, segundo autoridades russas.

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Negociações de paz

A visita de Zelenski à Alemanha marcou o início de novas consultas com líderes europeus antes das negociações de paz mediadas pelos Estados Unidos, previstas para 10 e 11 de novembro em Abu Dhabi.

O enviado americano Steve Witkoff confirmou as datas das conversas, que devem tratar de mecanismos de segurança para o pós-guerra, redução da escalada militar e questões humanitárias. O Kremlin também confirmou a participação de uma delegação russa.

Segundo Zelenski, as prioridades de Kiev incluem interromper os ataques contra infraestrutura energética, garantir a navegação para exportações de grãos pelo Mar Negro e ampliar as trocas de prisioneiros.

A Comissão Europeia informou que realizará ainda nesta semana uma reunião com representantes de França, Alemanha, Reino Unido, União Europeia, Otan, Estados Unidos e Banco Mundial para discutir a reconstrução da Ucrânia após o conflito. Uma delegação ucraniana participará do encontro.

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gq/md (AP, AFP)

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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