Shein planeja abrir capital em Hong Kong em meio a alertas sobre sustentabilidade

Empresa chinesa tenta avançar no mercado financeiro enquanto enfrenta questionamentos sobre cadeia de produção, emissões e estrutura de controle

26 ago 2026 - 10h40
Resumo
A Shein planeja abrir seu capital na bolsa de Hong Kong em setembro, após tentativas frustradas em Nova York e Londres. Apesar de reforçar iniciativas de sustentabilidade e governança corporativa para responder a críticas, a varejista chinesa de moda ultrarrápida ainda enfrenta investigações regulatórias na Europa e nos Estados Unidos. O mercado acompanha com cautela a estreia, atento ao impacto ambiental de seu modelo de produção e à concentração de 90% do poder de voto entre seus quatro fundadores.

A Shein se prepara para abrir capital em Hong Kong após anos de tentativas de chegar ao mercado de ações. A estreia, prevista para setembro, acontece enquanto a varejista chinesa ainda lida com investigações regulatórias e questionamentos relacionados à sustentabilidade, às condições de trabalho e à governança corporativa.

Shein tenta avançar no mercado financeiro enquanto enfrenta questionamentos sobre cadeia de produção, emissões e estrutura de controle
Shein tenta avançar no mercado financeiro enquanto enfrenta questionamentos sobre cadeia de produção, emissões e estrutura de controle
Foto: Cheng Xin/Getty Images / Perfil Brasil

De acordo com a Reuters, a empresa já havia considerado ofertas públicas em Nova York e Londres, mas encontrou resistência de políticos e investidores. Agora, a chegada à bolsa de Hong Kong representa uma nova etapa para a companhia, que busca ampliar sua presença no mercado financeiro.

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Shein tenta responder às críticas

Nos últimos anos, a Shein ampliou as iniciativas voltadas à área de ESG. Em 2024, criou um conselho consultivo externo sobre o tema e passou a detalhar mais suas ações de sustentabilidade. O relatório anual dedicado ao assunto, por exemplo, cresceu de 28 páginas em 2021 para 118 no ano passado.

Além disso, a companhia afirma ter avançado na fiscalização de fornecedores. Segundo seu relatório de sustentabilidade de 2025, 53% deles receberam as melhores classificações nas auditorias realizadas, contra 47% no ano anterior.

Entretanto, a empresa continua sob investigação da Comissão Europeia e da Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos. Multas aplicadas anteriormente na França e na Itália também fazem parte do histórico recente de questionamentos.

Estrutura de controle chama atenção

Outro ponto envolve a própria organização acionária. Após o IPO, os quatro cofundadores da Shein devem concentrar 90% dos direitos de voto, embora detenham 59,6% das ações. A companhia também reúne os cargos de diretor-presidente e presidente do conselho.

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Dos sete integrantes do conselho, três são considerados independentes. Dessa forma, investidores acompanham não apenas o desempenho financeiro da empresa, mas também o nível de participação dos acionistas minoritários nas decisões.

Modelo de negócios mantém debate ambiental

A Shein afirma que trabalha com pequenas quantidades de produtos antes de ampliar a fabricação conforme a procura. A estratégia busca reduzir estoques não vendidos. Por outro lado, o modelo de moda ultrarrápida, baseado em preços baixos e lançamento constante de peças, continua no centro do debate ambiental. Segundo dados apresentados pela própria companhia, a plataforma oferece cerca de 4.700 novos estilos por dia.

Em 2025, a marca registrou aproximadamente o dobro da intensidade de emissões de gases de efeito estufa reportada pela Inditex, dona da Zara. Assim, a estreia em Hong Kong coloca a empresa diante de uma nova fase financeira, mas os indicadores ambientais, as práticas trabalhistas e a estrutura de governança continuam entre os fatores acompanhados pelo mercado.

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