Repelente de tubarões é testado em Fernando de Noronha para proteger guarda-vidas

Pesquisadores avaliam dispositivo que emite campo elétrico; estudo também prevê aplicação na pesca e depende da comprovação de eficácia local.

29 out 2026 - 11h05
(atualizado às 11h16)
Resumo
Pesquisadores da UFRPE testam em Fernando de Noronha o repelente elétrico Freedom para afastar tubarões sem feri-los. A tecnologia, que usa impulsos elétricos para repelir os animais, visa garantir a segurança de guarda-vidas e reduzir perdas na pesca. Já utilizado no exterior, o equipamento está sendo avaliado nas condições marítimas locais. Se apresentar resultados positivos, poderá ser recomendado para uso oficial em todo o litoral de Pernambuco.

Pesquisadores do Projeto Ecotuba, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), começaram a testar em Fernando de Noronha um equipamento desenvolvido para afastar tubarões. Chamado Freedom, o dispositivo está sendo avaliado para uso por guarda-vidas e em embarcações de pesca.

O dispositivo está sendo avaliado para uso por guarda-vidas e em embarcações de pesca.
O dispositivo está sendo avaliado para uso por guarda-vidas e em embarcações de pesca.
Foto: Projeto Ecotuba/Divulgação / Portal de Prefeitura

A proposta é verificar seu desempenho nas condições brasileiras, considerando diferenças de temperatura, salinidade e espécies. O equipamento já foi utilizado na Austrália e nos Estados Unidos, mas a eficácia na ilha ainda está em avaliação.

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Se os resultados forem positivos, a equipe pretende recomendar a aquisição dos dispositivos pelo governo de Pernambuco para utilização em Noronha e no litoral continental.

Proteção durante salvamentos e atividades de pesca

Uma das aplicações pretendidas é ampliar a segurança dos profissionais que entram no mar para realizar resgates.

Na pesca, os pesquisadores planejam adaptar o equipamento para reduzir a aproximação de tubarões dos peixes capturados. A iniciativa busca diminuir as perdas relatadas pelos pescadores antes da retirada dos animais da água.

Como funciona a tecnologia

Os repelentes elétricos exploram uma característica sensorial dos tubarões: a capacidade de perceber campos elétricos por meio de estruturas chamadas ampolas de Lorenzini.

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Essa sensibilidade é investigada em pesquisas que procuram desenvolver formas de reduzir encontros perigosos sem recorrer à morte dos animais. O campo produzido pelo aparelho pode provocar mudanças de comportamento e afastamento, mas a resposta depende do dispositivo e das condições de uso.

Um estudo publicado em 2024 na revista científica Scientific Reports avaliou dois modelos de repelentes elétricos, o Freedom+ Surf e o Freedom7. Os resultados mostraram redução nas interações com iscas em parte dos testes, com diferenças entre espécies e configurações dos equipamentos.

Os autores ressaltaram que nenhum dos produtos eliminou completamente o risco. Mesmo com os dispositivos ligados, houve animais que conseguiram alcançar as iscas.

Resultados precisam considerar as condições de uso

Pesquisas anteriores também identificaram respostas diferentes conforme a posição da fonte elétrica e a situação apresentada aos tubarões. Isso significa que os resultados obtidos em um experimento não representam uma garantia universal de proteção.

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Esse contexto reforça a importância de avaliar o equipamento antes de ampliar sua utilização. No caso de Fernando de Noronha, os testes deverão orientar a análise sobre seu possível emprego nas atividades de salvamento e pesca.

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