Os testes de pré-temporada no Bahrein geraram muitas críticas dos pilotos aos novos carros e, por isso, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) anunciou que irá estudar a possibilidade de realizar alguns ajustes no novo regulamento técnico da Fórmula 1.
Nikolas Tombazis, diretor de monopostos da entidade, admitiu que, apesar de a entidade considerar que o pacote está "90% satisfatório", o modelo atual de gerenciamento de energia ainda gera preocupações.
As principais reclamações do grid vieram de nomes como Max Verstappen, que tem sido bastante crítico em relação ao gerenciamento e solicitou para a Fórmula 1 "se livrar das baterias", Lewis Hamilton e Fernando Alonso. O campeão mundial de 2025, Lando Norris, foi menos incisivo, mas reconheceu que o novo monoposto não representa a forma "mais pura" de correr.
Tombazis afirmou que a FIA já esperava questionamentos desde as primeiras simulações realizadas no ano passado e está disposta a fazer ajustes. No entanto, o dirigente destacou que o cenário na pista é menos alarmante do que o indicado pelos dados de simuladores.
"Os carros são novos. Entre o verão e outono passados, muita gente testou nos simuladores e expressou grandes preocupações. Os comentários feitos em Barcelona e no Bahrein são certamente melhores do que o que vínhamos ouvindo com base apenas nas simulações. Mas ainda há observações, como as de Max", afirmou.
"Temos consciência de que talvez seja necessário fazer ajustes. Estamos abertos a esse debate com equipes e fornecedoras de motores há bastante tempo. Também ouvimos os pilotos. Acredito haver formas de ajustar as regras", admitiu Tombazis.
Nos bastidores da Fórmula 1, as conversas giram em torno do sistema de recuperação e implantação de energia elétrica, fator crucial do novo regulamento que prevê divisão de 50% entre motor a combustão e parte elétrica. Para o diretor de monopostos da FIA, as mudanças podem ocorrer na forma como a energia é recuperada e distribuída ao longo da volta.
Tombazis explica que eventuais alterações estão mais relacionadas ao software e à forma de operação da unidade de potência: "Se compararmos com os comentários de novembro ou do verão passado, estamos muito melhor agora. Sabíamos desde 2022 que a divisão 50-50 de potência teria desafios. Não é surpresa. Fizemos um enorme trabalho na forma como a energia é distribuída. Estamos 90% em um lugar satisfatório. Mas, se precisarmos fazer ajustes, estamos totalmente abertos", disse.
"Não haveria necessidade de mudar o sistema em si. Seria mais uma questão de como operá-lo. Claro que, para um engenheiro de unidade de potência, isso altera um pouco o ciclo de trabalho, e poderia dizer que teria feito algo diferente se soubesse antes. Mas, fundamentalmente, não é uma mudança de hardware", explicou.
Apesar de estar aberta a ajustes, a entidade reforçou que não pretende agir precipitadamente e deve analisar a primeira corrida da Fórmula 1, na Austrália em 8 de março, antes de qualquer mudança. A justificativa seria que os testes coletivos não reproduzem integralmente as condições de disputa roda a roda.
Segundo Tombazis, é improvável que qualquer alteração no regulamento ocorra até a etapa da China, mas também será algo que levará muito tempo para ser resolvido: "Estamos aprendendo conforme avançamos. A primeira corrida será o primeiro teste real, porque aqui eles não estão competindo diretamente entre si. Mudanças exigem discussão e também passam pelo processo de governança. É improvável que algo seja feito entre Austrália e China, por exemplo. Mas também não levará meses", ponderou.
"Tomaremos a melhor decisão para o esporte. Isso é uma maratona, não um tiro curto. Espero que o GP da Austrália seja empolgante, mas também não acredito que será a sentença definitiva. Temos cinco anos de regulamento pela frente e temos todas as ferramentas para atuar. Veremos onde estamos e, como falei, discutiremos de forma aberta e transparente", concluiu o diretor da FIA.