Rave na França: por que jovens realizam festa sobre bombas da 1ª Guerra Mundial?

Entenda os riscos reais enfrentados por milhares de participantes em uma área militar proibida e o alerta das autoridades para munições enterradas

2 mai 2026 - 16h30

Mais de 20 mil pessoas continuam reunidas neste sábado (02) em uma "free party", uma rave instalada ilegalmente em um campo de tiro do Exército da França. O evento ocorre perto de Bourges, no departamento do Cher, em uma área militar classificada pelas autoridades como muito perigosa. O local abriga munições antigas e é palco de testes regulares de armamento pesado. Segundo informações do g1, AFP e Franceinfo, a festa foi organizada sem qualquer autorização oficial. A infraestrutura militar de Cornusse tornou-se o cenário de um "teknival" que desafia as leis locais e a segurança dos participantes.

Imagem ilustrativa
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Foto: Canva Fotos / Perfil Brasil

No vilarejo de Bengy, a moradora Anne relatou que as batidas graves da música fazem tremer as paredes de sua casa. Ela observa o fluxo constante de jovens atravessando campos proibidos. Em entrevista, Anne expressou perplexidade com a situação. "Nem nós, moradores, temos o direito de ir lá. Não podemos passear com o cachorro, não podemos atravessar esses campos. Toda semana há tiros, testes do canhão Caesar, testes de míssil. A gente escuta explodir como se estivesse na Ucrânia", afirmou a moradora. Seu terreno é o último ponto antes da zona proibida por placas de segurança militar.

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A prefeita de Cornusse, Édith Raquin, afirmou que a convivência tem sido surpreendentemente cordial, apesar do barulho. Ela notou que muitos idosos da região chegaram a conversar com os jovens. Entretanto, o perigo real reside no que está enterrado sob os pés dos dançarinos. O prefeito Philippe Le Moing Surzur alertou para o risco de munições da Segunda Guerra Mundial. "Precisamos estar preparados para o pior, e o pior seria a explosão de uma munição da Segunda Guerra Mundial", declarou o prefeito. Estilhaços extremamente cortantes já feriram participantes que manipularam fragmentos metálicos encontrados no terreno.

O prefeito de Bengy, Denis Durand, lembrou que o campo de tiro foi criado em 1917 (1917). "É um terreno militar criado em 1917. Houve testes durante a Primeira Guerra. Na época, ninguém se preocupava com cargas que não explodiram. Acho que há um perigo real", explicou Durand. Atualmente, 600 policiais militares franceses estão mobilizados em 14 pontos de controle ao redor da área. Eles já registraram autuações por posse de drogas e infrações de trânsito. A prefeitura reforça que os bosques, usados como banheiros improvisados, são zonas de risco máximo devido aos resíduos explosivos. Os organizadores esperam que o público atinja 30 mil pessoas no auge do encontro.

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