A macela, cientificamente conhecida como Achyrocline satureioides, transcende a tradição da colheita realizada na sexta-feira santa. Cultivar esta planta em casa é uma excelente alternativa para ter sempre à disposição um recurso natural para tratar desconfortos digestivos ao longo de todo o ano. Thulio Mariotto, engenheiro-agrônomo e especialista em Fitotecnia, ressalta à revista Casa e Jardim que a espécie possui uma relevância enorme no Brasil, especialmente na região sul, onde mantém um forte valor cultural, medicinal e econômico. O especialista destaca que, além do uso tradicional em chás e preparações caseiras, a planta ganha cada vez mais destaque no setor fitoterápico e na indústria de produtos naturais, unindo a tradição popular a um interesse científico crescente.
Tradição e ciência: o cultivo da macela
A confusão sobre a nomenclatura é comum entre os entusiastas. Muitos se perguntam se o correto é macela ou marcela. Thulio explica que essa duplicidade de nomes reflete a evolução da linguagem popular. Enquanto macela é o termo mais difundido nacionalmente, a variante com a letra r é predominante no sul e no Cerrado, moldando-se aos sotaques regionais ao longo das gerações. Não existe diferença taxonômica entre os termos, pois ambos se referem à mesma espécie da família Asteraceae. O especialista alerta, contudo, que a confusão pode surgir quando o nome popular é aplicado a outras espécies semelhantes, reforçando a importância da identificação pelo nome científico, especialmente em cultivos comerciais ou para fins medicinais.
Características da planta medicinal
Visualmente, a planta chama a atenção pelo tom prateado e toque aveludado, resultado de uma cobertura de pelos minúsculos que protegem o caule e a folhagem. Thulio descreve a macela como uma planta herbácea de porte médio, que atinge entre 40 e 70 centímetros de altura. Ela apresenta um caule fino, ereto e ramificado, com folhas estreitas e alongadas, cuja coloração verde-acinzentada ajuda a reduzir a perda de água. O crescimento da espécie é rápido e ela se adapta muito bem a ambientes abertos, ensolarados e com boa ventilação.
Dicas de ouro para plantio e manutenção
A grande vantagem de cultivar esta espécie é a sua rusticidade. A macela exige poucos cuidados, sendo ideal para quem busca plantas resistentes. Para um cultivo doméstico de sucesso, o solo deve ser leve, bem drenado e preferencialmente arenoso, sem excesso de matéria orgânica. A planta precisa de sol pleno, necessitando de pelo menos seis horas de luz solar direta por dia para se desenvolver. Em relação à rega, ela deve ser moderada para evitar doenças radiculares. A adubação é simples, utilizando composto orgânico leve no preparo do solo. Sobre os vasos, o engenheiro indica recipientes com no mínimo 20 a 25 centímetros de profundidade. É preferível utilizar vasos de barro ou cerâmica, que favorecem a drenagem e evitam o superaquecimento das raízes, embora plásticos com furos adequados também funcionem bem. A poda regular é fundamental para manter o vigor da planta.