Ataques israelenses atingem leste do Líbano, ampliando escopo apesar de cessar-fogo

27 abr 2026 - 14h07

Os militares israelenses começaram a realizar ataques no leste ‌do Líbano nesta segunda-feira, ampliando o escopo de sua campanha de bombardeio durante um cessar-fogo que não conseguiu interromper totalmente as hostilidades com o grupo armado libanês Hezbollah.

Os ataques no leste do Vale de Bekaa, no Líbano, marcaram a primeira vez que a área foi atingida desde que um cessar-fogo mediado pelos EUA entrou em vigor em 16 de abril, reduzindo ⁠significativamente o ritmo dos ataques sem interromper totalmente as trocas de tiros.

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Israel continuou a realizar ataques ‌no sul do Líbano, e suas tropas estão ocupando uma faixa do sul do país, destruindo casas que eles descrevem como infraestrutura usada pelo Hezbollah. O grupo apoiado pelo Irã, ‌por sua vez, manteve seus ataques com drones e ‌foguetes contra as tropas israelenses no Líbano e no norte de Israel.

Um porta-voz militar ⁠israelense disse que Israel estava começando a atacar a infraestrutura do Hezbollah em Bekaa, bem como em áreas no sul do Líbano. Fontes de segurança disseram à Reuters que os ataques atingiram a cidade de Nabi Chit, perto da fronteira oriental do Líbano com a Síria, sem relatos imediatos de vítimas.

A agência de mídia estatal do Líbano relatou vários ataques no ‌sul do país que deixaram pelo menos três pessoas feridas.

O Hezbollah disse nesta segunda-feira que havia ‌atacado um tanque israelense no sul ⁠do Líbano com um ⁠drone. Os militares israelenses disseram que um drone lançado pelo Hezbollah explodiu perto de suas tropas no ⁠sul do Líbano, sem causar vítimas.

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PRESIDENTE DO LÍBANO ‌FAZ CRÍTICA INDIRETA AO HEZBOLLAH

Mais de ‌2.500 pessoas foram mortas em ataques israelenses em todo o Líbano desde 2 de março, quando o Hezbollah disparou contra Israel em apoio ao seu aliado Irã e desencadeou uma campanha aérea e terrestre israelense que deixou partes do sul do Líbano ⁠em ruínas.

A guerra aprofundou as diferenças entre a população no Líbano, que está dividida em relação às armas do Hezbollah e às possíveis negociações de paz com Israel.

Os embaixadores libanês e israelense nos Estados Unidos se reuniram duas vezes para discutir o cessar-fogo, com o objetivo de abrir caminho para conversas diretas para garantir ‌um acordo de paz entre os inimigos de longa data.

O Hezbollah se opõe ferozmente às negociações diretas, com seu líder Naim Qassem descrevendo as negociações em uma declaração por escrito ⁠nesta segunda-feira como uma "concessão humilhante e desnecessária."

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"Que fique claro, essas negociações diretas e seus resultados são considerados inexistentes para nós e não nos dizem respeito de forma alguma. Continuaremos nossa resistência defensiva pelo Líbano e seu povo", disse Qassem.

O presidente libanês, Joseph Aoun, defendeu a iniciativa do governo de se envolver em conversações face a face e, nesta segunda-feira, criticou o Hezbollah sem citar o nome do grupo.

"O que estamos fazendo não é traição; pelo contrário, a traição é cometida por quem leva seu país à guerra para alcançar interesses externos", disse Aoun em uma declaração divulgada por seu gabinete, uma aparente referência à decisão do Hezbollah de entrar na guerra regional no mês passado.

"Alguns nos responsabilizam por decidirmos ir às negociações sob o pretexto da falta de consenso nacional, e eu pergunto: quando vocês foram à guerra, vocês obtiveram primeiro o consenso nacional?"

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