Quem é o chef de cozinha denunciado por funcionários de agressões e abusos?

Fundador do restaurante mais influente do mundo, René Redzepi, admite responsabilidade por passado de violência e humilhação; saída ocorre após investigação revelar agressões físicas contra equipe

12 mar 2026 - 10h15

O cenário da alta gastronomia mundial sofreu um abalo histórico com a renúncia do chef de cozinha René Redzepi. Para quem ainda não pegou a referência, ele é o nome por trás do icônico Noma, restaurante que comandou por 23 anos e revolucionou a culinária nórdica.

O cenário da alta gastronomia mundial sofreu um abalo histórico com a renúncia do chef de cozinha René Redzepi
O cenário da alta gastronomia mundial sofreu um abalo histórico com a renúncia do chef de cozinha René Redzepi
Foto: Reprodução / Apple TV / Perfil Brasil

Nesta semana,  o chef anunciou seu desligamento em meio a graves denúncias de abusos físicos e psicológicos. O anúncio coincidiu com a estreia de um projeto temporário em Los Angeles, que acabou ofuscado por manifestações e pela retirada de patrocínios de marcas como Cadillac e American Express.

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Chef de cozinha o centro de um escândalo

As acusações ganharam força após uma investigação detalhada do The New York Times, que ouviu 35 ex-funcionários sobre o ambiente de trabalho entre 2009 e 2017. Os relatos descrevem episódios de violência física, como socos e golpes com utensílios, além de táticas de humilhação pública e ameaças de retaliação profissional. Diante da repercussão, Redzepi utilizou suas redes sociais para um pedido de desculpas público. "As últimas semanas trouxeram atenção e conversas importantes sobre nosso restaurante, a indústria e minha liderança no passado", escreveu o chef. Ele admitiu que seus esforços recentes não apagam o histórico da empresa: "Reconheço que essas mudanças não reparam o passado. Um pedido de desculpas não é suficiente; assumo a responsabilidade por minhas próprias ações".

O afastamento de Redzepi inclui também sua saída do conselho da MAD, organização sem fins lucrativos voltada à comunidade gastronômica. Em seu comunicado, ele justificou a decisão como um passo necessário para a renovação da marca. "Após mais de duas décadas construindo e liderando este restaurante, decidi me afastar e permitir que nossos líderes extraordinários guiem o restaurante em seu próximo capítulo", afirmou. O chef buscou tranquilizar os clientes e entusiastas sobre o destino do estabelecimento sem sua presença diária: "Para quem está se perguntando o que isso significa para o restaurante, deixe-me dizer claramente: a equipe do Noma hoje é a mais forte e inspiradora que já tivemos".

A saída de uma das figuras mais influentes da gastronomia contemporânea levanta discussões profundas sobre os limites da pressão em cozinhas de elite. Embora o Noma continue operando sob a gestão de sua liderança interna, a renúncia de Redzepi simboliza um ponto de ruptura na cultura de "genialidade a qualquer custo". Sem nomear um sucessor imediato, o restaurante agora enfrenta o desafio de manter seu prestígio criativo enquanto tenta reconstruir sua reputação ética diante de um público e de uma indústria cada vez mais atentos aos direitos humanos no ambiente de trabalho.

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