Entidades médicas alertam que o uso de canetas emagrecedoras por crianças e adolescentes exige indicação clínica rigorosa e acompanhamento especializado, sendo restrito a casos de obesidade e diabetes tipo 2 a partir dos 10 ou 12 anos. O uso sem orientação ou com fins estéticos traz graves riscos, como prejuízos ao crescimento, desequilíbrios metabólicos e pancreatite. Especialistas ressaltam que o tratamento deve priorizar a mudança de estilo de vida sob supervisão de um pediatra.
O avanço no consumo das chamadas canetas emagrecedoras entre o público infantojuvenil tem acendido o alerta em entidades médicas brasileiras. A Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) destacam que, embora esses remédios possam compor a terapêutica contra a obesidade infantil e distúrbios metabólicos, a prescrição exige acompanhamento especializado e critérios rigorosos. O uso focado em estética em adolescentes ou por conta própria oferece sérios perigos à saúde.
No cenário nacional, as diretrizes vigentes para a indicação de medicamentos emagrecedores pediátricos variam conforme a substância:
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Liraglutida: Autorizada para diabetes tipo 2 em crianças a partir de 10 anos e para tratamento de obesidade em adolescentes a partir de 12 anos com peso acima de 60 kg;
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Semaglutida: Recomendada para obesidade a partir dos 12 anos e peso superior a 60 kg;
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Tirzepatida: Indicada para diabetes tipo 2 em pacientes a partir dos 10 anos.
Efeitos colaterais e perigos do uso sem acompanhamento
As entidades alertam para as consequências do uso sem orientação, apontando complicações graves. De acordo com o endocrinologista pediátrico e professor da UFRGS, Guilherme Guaragna Filho, a medicação não orientada pode deflagrar hipoglicemia em jovens, perda de massa magra, desequilíbrio eletrolítico, disfunções menstruais em meninas e prejuízos diretos ao crescimento.
A SBP acrescenta a ocorrência de sintomas gastrointestinais como vômitos, náuseas, diarreia, refluxo e prisão de ventre, além de quadros graves como pancreatite e problemas na vesícula. Adicionalmente, o emagrecimento sem indicação clínica em fases de crescimento pode acarretar transtornos de imagem corporal e hábitos alimentares nocivos.
Avaliação abrangente e estilo de vida
Antes do início de qualquer protocolo com remédio para emagrecer na infância, é fundamental passar por um exame clínico e laboratorial completo. O médico deve averiguar o estágio de puberdade, os padrões de crescimento e a saúde metabólica do paciente.
A SPRS conclui que o combate à obesidade deve priorizar a mudança de estilo de vida, abrangendo nutrição, exercícios físicos, sono adequado, saúde mental e suporte familiar. Pais com dúvidas sobre o peso de crianças ou adolescentes devem consultar primeiramente o pediatra, que avaliará o encaminhamento para um endocrinologista pediátrico.