Pesquisa revela medo de carros autônomos e rejeição a marcas

Descubra os detalhes do novo relatório da Ipsos sobre o futuro da mobilidade e por que o país de origem do veículo virou fator decisivo na hora da compra

15 abr 2026 - 06h05

A tecnologia automotiva avança em ritmo acelerado, mas a confiança dos motoristas em relação aos carros totalmente autônomos ainda caminha em marcha lenta. De acordo com o novo relatório global de mobilidade da Ipsos, a aceitação dos carros autônomos divide opiniões ao redor do planeta e encontra resistências significativas em solo nacional. Segundo informações divulgadas pelo Jornal do Carro do Estadão, a pesquisa ouviu mais de 23 mil pessoas em 31 países diferentes. O dado mais impactante revela que apenas 25% dos brasileiros se sentiriam confortáveis em viajar em um veículo sem motorista humano, um índice inferior à média global de 36%.

Veículo Waymo
Veículo Waymo
Foto: Divulgação/ Waymo / Perfil Brasil

A preocupação do consumidor com os carros autônomos não se limita apenas à segurança física durante o trajeto, mas estende-se à proteção de dados pessoais. Com veículos cada vez mais conectados, a dúvida sobre quem garante a segurança digital das informações coletadas cresce entre os motoristas. Na América Latina, pouco mais da metade dos entrevistados confiam nas fabricantes de automóveis. No Brasil, o cenário é de incerteza absoluta, com 31,6% dos participantes afirmando que estão "em cima do muro" quando o assunto é o sigilo de suas informações digitais. Apesar desses receios, o entusiasmo por inovações tecnológicas gerais nos veículos permanece alto, atingindo 55% da população global, com a China liderando o otimismo com 78%.

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Um ponto inédito revelado pelo estudo é que a origem do veículo passou a ser um fator determinante na decisão de compra. Quase metade dos consumidores mundiais, cerca de 48%, afirma que evitaria adquirir carros fabricados em determinados países devido a questões geopolíticas ou de percepção de qualidade. No Japão, esse índice chega a 67%, enquanto no Canadá, tensões diplomáticas fizeram com que 48% dos motoristas passassem a evitar modelos produzidos nos Estados Unidos. Globalmente, os veículos de origem chinesa enfrentam a maior resistência, com 41% de rejeição, seguidos pelos modelos indianos e americanos.

Curiosamente, o motorista brasileiro demonstra ser muito menos influenciado por barreiras geográficas ou políticas em comparação ao restante do mundo. O relatório aponta que 35% dos consumidores locais provavelmente não evitariam carros de qualquer nacionalidade específica, e outros 29% afirmam categoricamente que não levam a origem da marca em consideração. Esse comportamento sugere que, no mercado brasileiro, fatores como custo-benefício e design ainda sobrepõem as tensões globais de mercado. No entanto, o desafio das montadoras para os próximos anos será vencer a barreira psicológica da autonomia total e garantir que o carro conectado seja, acima de tudo, um ambiente digital seguro.

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