"Acho que está quase acabando", afirmou o presidente americano em entrevista à emissora Fox News. Ele garantiu que as autoridades iranianas "querem realmente chegar a um acordo".
Donald Trump também mencionou uma possível retomada das discussões com o Irã nesta semana, no Paquistão. "Algo pode acontecer nos próximos dois dias", antecipou o republicano a um jornalista do New York Post.
No último fim de semana, uma primeira rodada de conversas entre representantes dos Estados Unidos e do Irã fracassou. No entanto, a suspensão do diálogo não levou a uma ruptura do cessar-fogo que entrou em vigor em 8 de abril.
Desde então, Washington reforçou a pressão sobre Teerã. Na segunda-feira, passou a bloquear navios no Estreito de Ormuz, impedindo o trânsito de mercadorias com origem ou destino aos portos iranianos.
"As forças americanas interromperam completamente o comércio marítimo" do Irã, comemorou na madrugada de quarta-feira (15) o chefe das forças americanas na região, Brad Cooper. O militar ressaltou que cerca de "90% da economia iraniana" depende desse comércio.
Nova rodada em Islamabad
Nesse novo equilíbrio de forças, os negociadores americanos podem voltar a Islamabad nesta semana com o objetivo de retomar as negociações. Trump elogiou, em entrevista ao New York Post, o "excelente trabalho" de mediação realizado pelo chefe do Exército paquistanês, Asim Munir.
Duas fontes paquistanesas de alto escalão confirmaram à AFP que Islamabad busca relançar as conversas.
Na terça-feira, o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, pediu a retomada de "negociações sérias". "Não há solução militar para essa crise", enfatizou Guterres.
Apesar do impacto do duplo bloqueio, iraniano e americano, sobre o Estreito de Ormuz, os mercados sinalizam acreditar em uma saída para o conflito. O petróleo continuou a ser negociado abaixo de 95 dólares o barril nesta quarta-feira, após forte queda na terça-feira. Os preços têm sido pressionados pelo bloqueio de Ormuz, por onde normalmente transita 20% do petróleo e do gás natural liquefeito mundial.
Recebido pelo presidente chinês Xi Jinping em Pequim, o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, assegurou que Moscou está pronta para "compensar" o déficit energético sofrido pela China e por outros países em decorrência da guerra.
Negociações israelo-libanesas
Se a frente iraniana vive um momento de calmaria, o Líbano não está incluído na trégua, segundo Israel, que continua a atacar o Hezbollah e não se retirou do sul do país.
No entanto, Israel e o Líbano concordaram na terça-feira em iniciar negociações diretas com vistas a uma paz duradoura, após conversas entre os embaixadores dos dois países em Washington, as primeiras desse tipo desde 1993. O movimento Hezbollah, pró-Irã, não participou do encontro, que classificou como uma "capitulação".
A diplomacia americana informou que a data e o local das novas negociações "ainda precisam ser definidos de comum acordo".
Com AFP