Abraham Lincoln, Theodor Roosevelt, John F. Kennedy, Ronald Reagan, Donald Trump: História dos Estados Unidos está repleta de assassinatos e tentativas frustradas contra líderes políticos.O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a primeira-dama Melania Trump e diversos membros do governo americano foram retirados às pressas de um jantar com jornalistas em Washington na noite deste sábado (25/04), após um homem trocar tiros com seguranças na entrada do evento, no Hotel Hilton.
Não houve feridos, no que Trump horas depois descreveu como um ataque de um "aspirante a assassino".
Autoridades americanas trabalham com a hipótese inicial de que o suspeito visava membros do governo, inclusive Trump.
Caso isso se confirme, seria a terceira vez em menos de dois anos que o republicano tem a vida ameaçada por atiradores.
Em julho de 2024, durante um evento de sua campanha eleitoral à Casa Branca, Trump foi alvejado de raspão na orelha por um atirador de 20 anos em Butler, na Pensilvânia.
Além do suspeito, que foi morto na hora por seguranças, uma segunda pessoa que acompanhava o evento da plateia foi morta na ação, que durou segundos.
Dois meses depois, agentes do Serviço Secreto que escoltavam Trump enquanto ele jogava golfe em um clube de sua propriedade em West Palm Beach, na Flórida, encontraram um homem armado escondido entre arbustos. O caso foi classificado pela Justiça americana como tentativa de assassinato, e o suspeito foi condenado à prisão perpétua em fevereiro deste ano.
Mas o caso de Trump não é único na história dos Estados Unidos, que está repleta de assassinatos e atentados frustrados contra líderes políticos.
Em alguns desses casos, como o do presidente Ronald Reagan (1981-1989), que sobreviveu a um atentado logo no início do mandato, o episódio turbinou a popularidade do republicano entre os americanos.
Quatro presidentes assassinados no exercício do cargo
O primeiro presidente americano assassinado no exercício do cargo foi Abraham Lincoln, morto em 1865 enquanto assistia a um espetáculo dentro de um teatro em Washington. O atirador, John Wilkes Booth, era um simpatizante da causa confederada, que unia os estados agrários e escravistas do sul dos Estados Unidos contra o restante do país. Republicano, Lincoln liderava à época uma aliança com os democratas formada durante a Guerra de Secessão.
Menos de duas décadas depois, o presidente James Garfield foi baleado por um desafeto em 1881, também em Washington, em uma estação de trem. O republicano acabou morrendo dois meses e meio depois do episódio, em decorrência dos ferimentos.
Dali a duas décadas, em 1901, o também republicano presidente William McKinley seria baleado em 1901 por um anarquista em Buffalo, Nova York, morrendo poucos dias depois.
Por fim, o último presidente assassinado da história dos EUA é o democrata John F. Kennedy, JFK, alvejado em 1963 enquanto desfilava em carro aberto ao lado da mulher em Dallas, Texas. O suspeito do crime, Lee Harvey Oswald, foi assassinado dois dias depois, alimentando uma série de teorias da conspiração.
Os presidentes que sobreviveram a atentados
Além de Trump, outros líderes americanos sobreviveram a tentativas de assassinato.
O também republicano e ex-presidente Theodore Roosevelt escapou da morte após ser baleado no peito em 1912, enquanto fazia campanha em Milwaukee, Wisconsin. Como Trump, ele também tentava voltar à Casa Branca após governar o país de 1901 a 1909 - cargo ao qual fora alçado justamente após o atentado que matou seu antecessor, William McKinley, de quem ele era vice.
O projétil alojou-se no peito de Roosevelt após perpassar uma caixa de óculos e os papéis de seu discurso, que estavam no bolso da jaqueta. Mesmo baleado, ele se recusou a ir para o hospital e fez o discurso planejado, falando por 90 minutos. Por sorte, a bala havia se alojado no músculo do peitoral de Roosevelt, sem atingir os pulmões, e os médicos decidiram que o mais seguro era não tentar removê-la. Por causa disso, o republicano carregou o projétil dentro de si até o fim da vida.
Apesar da façanha, Roosevelt, que havia fundado outro partido após perder a indicação à candidatura do Partido Republicano, não conseguiu voltar à Presidência.
Já o democrata Franklin Roosevelt, que governou o país de 1933 a 1945, saiu ileso de um tiroteio em 1933 que matou o prefeito de Chicago Anton Cermak.
Igualmente ileso saiu o republicano Gerald Ford (1974-1977), alvo de duas tentativas de homicídio em menos de três semanas em 1975, também por arma de fogo. As duas suspeitas são as únicas mulheres na história a tentar assassinar um presidente americano.
Depois dele, outro republicano, Ronald Reagan, foi alvejado na axila no início de seu mandato, em 1981, às portas do Hotel Hilton em Washington, o mesmo local onde ocorreu o incidente envolvendo Donald Trump neste sábado.
O autor do atentado acabou classificado como doente psiquiátrico. Já Reagan, que ficou quase duas semanas internado no hospital, viu seus índices de popularidade dispararem e acabou reeleito em 1984.
Outros políticos vítimas de atentados
Em 1968, o então pré-candidato do Partido Democrata à Casa Branca e senador Robert F. Kennedy, irmão do falecido JFK, foi morto aos 42 anos em Los Angeles. O assassino era um homem palestino cuja ação, entre outros motivos, teria sido motivada pela promessa de Kennedy de apoiar Israel militarmente.
Em 1972, o governador do Alabama George C. Wallace, também democrata, ficou paralítico da cintura para baixo após sobreviver a um atentado por arma de fogo.
O político era conhecido por sua retórica racista e segregacionista, e foi baleado após afirmar em discurso que americanos brancos estariam sendo "esquecidos". Wallace, que seguiu na política, acabaria se arrependendo anos mais tarde e pedindo perdão aos americanos negros.
ra (Reuters, AP, DW, ots)