O segredo por trás do desejo incontrolável por sal

Pesquisadores revelam como o sódio ativa neurônios específicos e transforma a percepção do paladar

5 ago 2026 - 16h40

O Serviço Mundial da BBC analisou por que a humanidade deseja tanto o consumo de sódio. Afinal, o sal transforma a comida insossa em algo saboroso. A explicação para o efeito do sal no cérebro envolve a evolução das papilas gustativas e o equilíbrio das nossas células.

Um alimento pode ir do insosso ao sublime com apenas uma pitada de sal
Um alimento pode ir do insosso ao sublime com apenas uma pitada de sal
Foto: Canva / Perfil Brasil

A princípio, o sal toca a língua e ativa poros específicos nas células gustativas. A especialista Courtney Wilson, da Faculdade de Medicina da Universidade do Colorado, detalha o início do processo em entrevista à BBC Brasil:

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"Essas papilas gustativas são pequenos aglomerados de células no formato de um dente de alho, espalhadas por toda a língua. Essas células possuem receptores que evoluíram para reagir a certos tipos de substâncias químicas."

Diante desse cenário, esses receptores abrem canais para o fluxo de íons. Em seguida, a célula envia um sinal elétrico diretamente ao sistema nervoso.

"Se você tiver a concentração certa de sal, a quantidade que manterá seu corpo num nível ideal, terá um gosto realmente delicioso."

A necessidade biológica do sódio

Do mesmo modo, o corpo humano gasta cerca de um terço da sua energia diária bombeando o sal para fora das células. O neurologista Joel Geerling, da Universidade de Iowa, também em entrevista à BBC Brasil, ressalta a importância vital desse processo:

"Os íons de sódio invadem a célula e causam uma mudança rápida e acentuada na voltagem da membrana, conhecida como potencial de ação no neurônio — não apenas no cérebro, mas também nas células do músculo cardíaco, aquelas que nos mantêm vivos, batimento após batimento."

Em vista disso, o cérebro desenvolveu mecanismos complexos para evitar a falta do sal. As pesquisas de Joel Geerling identificaram o grupo de neurônios HSD2, responsável por detectar quando a pressão arterial cai e o volume de água diminui.

"Nesses casos, os níveis de aldosterona aumentam, e isso leva os neurônios a induzir o animal a buscar e consumir mais sal."

Nesse sentido, civilizações antigas já buscavam o sal desesperadamente. O arqueólogo Daniel Bradner, do Museu de História Natural de Viena, estuda a mina de Hallstatt, na Áustria, onde a extração ocorre há 7 mil anos. Em contrapartida aos animais marinhos que vivem cercados pelo composto, a humanidade evoluiu para caçar o nutriente e garantir a própria sobrevivência.

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