O comandante David Scott tornou-se oficialmente o primeiro motorista da Lua ao conduzir o Lunar Roving Vehicle durante a missão Apollo 15, realizada em 1971. Conhecido popularmente como o "jipe espacial", o veículo foi um marco da engenharia fruto de uma parceria estratégica entre a Boeing e a General Motors. Diferente dos carros que rodam nas estradas terrestres, este modelo foi projetado especificamente para operar no vácuo e sob a influência da baixa gravidade lunar. Segundo informações publicadas pelo Jornal do Carro do Estadão, o jipe percorreu cerca de 27 km ao lado do astronauta James Irwin, permitindo uma exploração científica sem precedentes em solo lunar.
Construído inteiramente em alumínio para reduzir o peso, o primeiro carro lunar pesava aproximadamente 210 kg na Terra, mas sua estrutura era dobrável para caber no módulo espacial. O sistema de propulsão era composto por quatro motores elétricos independentes, um em cada roda, alimentados por baterias de 36 volts não recarregáveis. Essa configuração garantia uma autonomia de até 78 horas ou cerca de 90 km de alcance total. As rodas chamavam atenção por serem formadas por uma malha metálica de fios de aço com titânio, garantindo a resistência necessária para enfrentar o terreno irregular e abrasivo do satélite natural.
A experiência de dirigir em outro mundo trazia desafios únicos, conforme relatado pelos tripulantes da época. Com a gravidade correspondendo a apenas 1/6 da terrestre, o veículo "quicava" constantemente, exigindo um controle delicado por parte de Scott. O astronauta relatou que, em certos momentos, o deslocamento levantava uma poeira que demorava a cair, formando um rastro suspenso devido à ausência de atmosfera. "A direção atuava nos eixos dianteiro e traseiro, aumentando a possibilidade de manobras", destaca a documentação técnica sobre o LRV, que permitia ao condutor manter a estabilidade mesmo em velocidades próximas aos 13 km/h.
Agora, o entusiasmo pela exploração espacial retorna com o programa Artemis da NASA, que planeja introduzir o Lunar Terrain Vehicle (LTV). Diferente do antecessor da década de 1970, o novo carro elétrico terá tecnologias digitais avançadas e capacidade de operação autônoma. O objetivo é que esses veículos suportem temperaturas extremas e longos períodos de escuridão, servindo como peça-chave para a construção de bases permanentes. Enquanto o mundo aguarda o próximo "grande passo", a história de Scott e seu jipe elétrico permanece como o alicerce para a futura ocupação humana na Lua.