Muro da discórdia: por que um morador de Minas construiu paredão de 13 metros?

Entenda a história por trás da construção monumental em Passos que bloqueia três andares de um edifício vizinho e o que diz a lei

18 abr 2026 - 16h20

A construção de um muro de 13 metros de altura no quintal de uma casa em Passos, no Sul de Minas Gerais, parou as redes sociais ao revelar uma medida extrema para garantir a privacidade doméstica. O fato mais impactante é que o paredão bloqueia totalmente a vista das janelas de pelo menos três andares do prédio vizinho, tendo sido erguido logo após a conclusão do edifício. De acordo com informações do G1, a obra viralizou recentemente após uma publicação alcançar quase 4 milhões de visualizações, embora a estrutura tenha sido construída originalmente em 2001. A repercussão transformou a rua em um ponto turístico improvisado, atraindo curiosos e vídeos de influenciadores que buscam registrar o tamanho da barreira de tijolos.

Antes de levantar o paredão, o proprietário tentou diversas negociações amigáveis
Antes de levantar o paredão, o proprietário tentou diversas negociações amigáveis
Foto: Reprodução/ Google Maps / Perfil Brasil

O projeto foi assinado pelo arquiteto Ivan Vasconcelos, que detalhou que a estrutura possui exatos 13,4 metros de altura por 6 metros de largura. Segundo o profissional, o proprietário decidiu pela obra ao perceber que as sacadas do novo prédio seriam voltadas diretamente para sua piscina e área de lazer. "A casa dele é de um padrão muito bom, tem piscina, um quintal grande que faz um L e o prédio era inteirinho voltado para a área dele. Ele queria a privacidade dele", explicou o arquiteto. Para garantir a segurança e funcionalidade, foram utilizados tijolos cerâmicos queimados intercalados, permitindo a circulação de vento mesmo com o bloqueio visual massivo.

Publicidade

Antes de levantar o paredão, o proprietário tentou diversas negociações amigáveis com os responsáveis pelo edifício, mas todas foram frustradas. Vasconcelos relatou que seu cliente chegou a oferecer um terreno mais valioso no centro da cidade em troca da área, propôs a instalação de brises metálicos para as janelas e até se ofereceu para comprar os apartamentos voltados para o seu lado. No entanto, os valores pedidos estavam acima do mercado e as soluções arquitetônicas foram rejeitadas pelo grupo construtor. Sem acordo, a solução foi a construção dentro dos limites do próprio terreno.

A Prefeitura de Passos confirmou que a obra é totalmente regular, uma vez que a legislação municipal da época não estabelecia uma altura máxima para muros de divisa. Embora alguns moradores do prédio reclamem da perda de luminosidade e de uma possível desvalorização dos imóveis — onde unidades são ofertadas por até 1,3 milhão de reais —, outros residentes afirmam preferir o muro por também garantir sua própria privacidade. O caso levanta um debate sobre o Plano Diretor das cidades e o impacto de grandes empreendimentos em bairros residenciais já consolidados.

Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se