Em uma mensagem publicada no Facebook, o líder ucraniano voltou a pedir apoio dos EUA e dos europeus no reforço da defesa antiaérea da Ucrânia para proteger "a vida das pessoas comuns". Em resposta, a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der leyen, escreveu em uma mensagem no X que os bombardeios russos contra Kiev mostram que a questão do apoio militar é urgente e será discutida "nesta semana, em Ancara, durante a cúpula da Otan".
Kiev foi alvo, durante a noite de domingo (5) para segunda-feira, de novos ataques russos que deixaram vários mortos. Segundo o chefe da administração militar de Kiev, Timur Tkachenko, 46 pessoas ficaram feridas. As operações de resgate continuam, escreveu em uma mensagem no Telegram.
A Rússia lançou 68 mísseis e 351 drones contra a Ucrânia durante a noite, segundo a Força Aérea Ucraniana, e as unidades de defesa antiaérea abateram ou neutralizaram 37 mísseis e 326 drones. O Ministério da Defesa da Rússia confirmou ter realizado um ataque "massivo" contra a capital ucraniana e outras localidades. Instalações militares e de energia foram atingidas em Kiev e em sua região, além de bases aéreas militares em outras áreas do país.
Last night, the Russian regime once again blindly attacked civilians from the air, with over 400 drones and missiles attacking the capital.
Ukraine urgently needs more air defence. We will discuss it this week in Ankara at the @NATO Summit.
Last week we provided the first €4…
— Ursula von der Leyen (@vonderleyen) July 6, 2026
Pelo menos 15 prédios residenciais foram danificados ou destruídos em Kiev, entre eles um edifício de nove andares no distrito de Podilski, conhecido por seu patrimônio arquitetônico. Equipes de resgate também procuravam sobreviventes em um prédio de 21 andares em Podilski.
Tkachenko informou que quatro conjuntos residenciais foram atingidos apenas nesse distrito. Em Darnitski, na margem esquerda do rio Dniepre, duas pessoas morreram. Destroços também provocaram estragos em um outro edifício de 25 andares e um incêndio danificou um prédio de 30 andares em Darnitski. O porto de Odessa, no mar Negro, também foi alvo de bombardeios, afirmou o chefe da administração municipal, Serhiy Lysak.
A ofensiva russa ocorre poucos dias após um ataque contra Kiev, na quinta-feira, que deixou 31 mortos, dezenas de feridos e danificou cerca de 130 edifícios. Zelensky havia alertado no domingo para o risco de um outro bombardeio iminente.
Drones ucranianos atingem portos
A Rússia anunciou ter abatido 519 drones ucranianos na noite de domingo para segunda em mais de 20 regiões do país e na península da Crimeia anexada, onde uma pessoa morreu. Ataques também danificaram nesta segunda os portos russos de Vissotsk e Ust-Luga, um terminal de exportação de petróleo no mar Báltico.
A ofensiva ainda provocou uma interrupção no fornecimento de eletricidade em Sebastopol, na Crimeia, base da Frota Russa do Mar Negro, segundo autoridades locais. "Durante a noite, os sistemas de defesa antiaérea interceptaram e destruíram 519 drones aéreos ucranianos", informou o Ministério da Defesa russo em comunicado.
Os ataques ucranianos atingiram especialmente a região de Moscou, onde 11 drones que se dirigiam à capital russa foram destruídos, e a região de Leningrado, no noroeste do país, onde 56 aparelhos foram abatidos, segundo autoridades locais. Drones ucranianos também foram interceptados sobre a Crimeia, anexada pela Rússia em 2014, onde uma mulher morreu e outras duas pessoas ficaram feridas.
Em Sebastopol, às margens do mar Negro, a cidade ficou sem eletricidade "devido a um ataque" ucraniano contra infraestruturas energéticas próximas, segundo o governador local Mikhail Razvojaiev. Na região de Iaroslavl, cerca de 300 quilômetros ao nordeste de Moscou, duas pessoas também ficaram feridas em um ataque de drones ucranianos, sendo que 70 foram abatidos.
A Rússia bombardeia diariamente a Ucrânia desde o início da invasão em larga escala, lançada em fevereiro de 2022. O Exército ucraniano realiza regularmente ataques com drones contra a Rússia, visando principalmente infraestruturas energéticas que ajudam Moscou a financiar seu esforço de guerra.
As negociações conduzidas sob mediação dos Estados Unidos para encerrar o conflito iniciado em fevereiro de 2022 seguem, por enquanto, sem avanços.
Com Reuters e AFP