O youtuber Mervin Hunter viralizou ao atacar supostos batedores de carteira em Veneza com spray vermelho e pistolas de água, gerando confusões e irritando autoridades locais. Embora a prefeitura critique a justiça com as próprias mãos por aumentar os riscos na cidade, membros do governo culpam a impunidade estatal e pedem mudanças na lei italiana para punir infratores mesmo sem queixa formal das vítimas, já que dezenas de suspeitos denunciados recentemente continuam em liberdade.
Um youtuber viralizou na internet ao divulgar vídeos em que espirra spray vermelho e dispara pistolas de água contra supostos batedores de carteira em Veneza, na Itália, cidade que há anos sofre com a atuação dos chamados "pickpockets".
A iniciativa é capitaneada pelo filipino Mervin Hunter, que vive e trabalha em Roma e tem realizado uma série de iniciativas do tipo em cidades europeias, incluindo a capital italiana, em parceria com uma página britânica no YouTube chamada "DJE Media".
As gravações muitas vezes acabam em confusão com os batedores de carteira e têm incomodado as autoridades municipais de Veneza.
"Faltavam apenas influenciadores para alimentar a violência e aumentar os perigos na cidade", criticou a secretária de Obras Públicas da cidade, Francesca Zaccariotto. "Garantir a segurança não cabe a eles nem aos cidadãos, mas sim às autoridades. Mas a culpa disso é do Estado, que não faz nada para combater a impunidade", acrescentou.
Segundo ela, 75 batedores de carteira foram denunciados nos últimos meses, mas "todos estão em liberdade". Já a vereadora de oposição Giulia Albanese apontou uma piora da segurança na capital do Vêneto, com "cenas de cidadãos exasperados fazendo justiça com as próprias mãos".
No ano passado, a Prefeitura pediu ao governo da premiê da Itália, Giorgia Meloni, que aprove uma lei para facilitar processos contra os "pickpockets". As autoridades municipais reclamam sobretudo de uma regra que autoriza levar os batedores de carteira a julgamento somente a partir de denúncias das vítimas, procedimento que muitas vezes não é feito por turistas.
A ideia da Prefeitura é mudar a legislação para permitir processos contra trombadinhas mesmo sem a participação da pessoa assaltada, mas a iniciativa não avançou até o momento. .