Europa aumenta pressão sobre Israel por projeto de assentamento que pode fragmentar a Cisjordânia

França, Itália, Reino Unido e Alemanha pediram a Israel, nesta quinta-feira (20), que "ponha fim à expansão dos assentamentos na Cisjordânia" e "retire imediatamente" as licitações lançadas esta semana para a construção de mais de 1.200 moradias como parte do amplo projeto E1.

21 ago 2026 - 13h37
Resumo
França, Alemanha, Reino Unido e Itália pressionam Israel a cancelar licitações do projeto E1 para novos assentamentos na Cisjordânia. As potências europeias alertam que as obras fragmentam o território palestino e ameaçam a solução de dois Estados, além de advertirem empresas sobre riscos legais e violações do direito internacional caso participem das construções.

Frédérique Misslin, correspondente da RFI em Jerusalém,

As caravanas das 17 famílias de colonos israelenses que vivem em Umm al Khair desde abril.
As caravanas das 17 famílias de colonos israelenses que vivem em Umm al Khair desde abril.
Foto: © Frédérique Misslin / RFI / RFI

"Num momento em que a Cisjordânia atravessa um período de grave instabilidade, com níveis sem precedentes de violência de colonos contra civis e severas restrições impostas à economia palestina, essa decisão é ainda mais preocupante", afirmaram os quatro países em uma declaração conjunta.

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Paris, Berlim, Londres e Roma consideram, sobretudo, que o projeto E1 coloca em risco as perspectivas de uma solução de dois Estados ao "criar uma divisão na Cisjordânia" e comprometer a continuidade territorial dos Territórios Palestinos.

Na terça-feira (18), o Ministério da Habitação de Israel lançou uma licitação para a construção de mais de 1.200 unidades habitacionais no âmbito desse projeto, segundo a ONG israelense Paz Agora e diversos meios de comunicação do país. As empresas interessadas poderão apresentar propostas até 19 de outubro, oito dias antes das eleições legislativas israelenses, marcadas para 27 de outubro.

Para a Autoridade Palestina e seus apoiadores, esse calendário pode permitir que o governo israelense acelere a expansão dos assentamentos e dificulte eventuais mudanças políticas após a votação.

Um projeto que dividiria a Cisjordânia em duas partes

O projeto E1 prevê a construção de aproximadamente 3.400 unidades habitacionais em uma área de 12 quilômetros quadrados localizada entre Jerusalém Oriental e Ma'ale Adumim, um importante assentamento israelense com cerca de 40 mil habitantes. As duas localidades ficam separadas por apenas sete quilômetros.

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As consequências vão muito além da construção de novas moradias. Se o projeto for adiante, ele dividirá a Cisjordânia em duas partes e impedirá a continuidade territorial entre Ramallah, Jerusalém Oriental e Belém. Esse cenário tornaria ainda mais difícil a criação de um Estado palestino viável.

O projeto E1 permaneceu congelado durante anos devido à forte oposição da comunidade internacional, incluindo os Estados Unidos. Mas o governo de Benjamin Netanyahu o reativou em agosto de 2025, quando o primeiro-ministro israelense declarou que "não haverá um Estado palestino".

As quatro potências europeias denunciam uma decisão que, segundo elas, corre o risco de "enfraquecer ainda mais a posição de Israel na comunidade internacional". Os países consideram o lançamento das licitações "inaceitável" e exigem sua retirada imediata.

"As empresas não devem considerar participar das licitações para esses projetos de construção", afirmam também os governos da França, Itália, Reino Unido e Alemanha, instando-as a levar em conta as "consequências legais e de reputação", incluindo o risco de se tornarem cúmplices de graves violações do direito internacional.

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