O prefeito de Catânia, Enrico Trantino, gerou forte polêmica ao beijar a boca do crânio de Santa Ágata durante uma procissão histórica na Sicília. A atitude causou revolta nas redes sociais, com críticas que apontaram desrespeito ao voto de castidade e ao martírio da padroeira. O político defendeu o gesto como um ato de devoção e representação popular, recebendo apoio de aliados do partido Irmãos da Itália, que classificaram os ataques virtuais como injustos.
O prefeito de uma das principais cidades do sul da Itália se tornou alvo de críticas nas redes sociais após beijar a boca do crânio de uma santa morta há quase 1,8 mil anos.
O episódio ocorreu no início da semana em Catânia, metrópole situada no sopé do Monte Etna, na Sicília, durante uma procissão pelos 900 anos do retorno das relíquias de Santa Ágata para a cidade da qual é padroeira.
Segundo a tradição católica, ela foi martirizada no ano de 251, na própria Catânia, após ter sido brutalmente torturada por fazer voto de castidade e se recusar a renegar a fé cristã.
Em 1038, relíquias da santa foram removidas da Catedral de Catânia por um general bizantino, que as levou para Constantinopla (atual Istambul), onde permaneceram até 1126, quando foram restituídas à cidade siciliana por um mercenário.
Na procissão, o crânio de Santa Ágata foi exibido em público para os fiéis, e o prefeito Enrico Trantino, que é católico, aproveitou a ocasião para beijá-lo.
"Antes que o crânio de Ágata fosse colocado no relicário, de onde não havia sido retirado por 60 anos, nosso arcebispo o mostrou para que eu o beijasse. Aí você entende que não é apenas um homem, mas cada um dos cidadãos que representa, e se sente esmagado pelo peso do cargo, pelo medo de estar usurpando o desejo de todos, de ter o contato mais próximo possível com Ágata", escreveu o prefeito no Facebook, onde também publicou uma foto do momento.
Trantino, no entanto, recebeu uma onda de críticas nas redes sociais. "Não é assim, prefeito. Nem mesmo o Papa teria ousado fazer isso. Ninguém no mundo é digno de beijar o corpo de uma santa", escreveu uma usuária na publicação.
"Santa Ágata morreu para não se deixar tocar por um homem e você a beija na boca?", questionou outro internauta. "Uma santa martirizada por causa da própria autodeterminação da fé cristã e que fez voto de castidade agora se encontra exposta como um troféu, à mercê de homens que tocam e beijam seu corpo. É um ultraje", reforçou uma mulher.
Trantino pertence ao partido de direita Irmãos da Itália (FdI), liderado pela premiê Giorgia Meloni, e recebeu mensagens de solidariedade de correligionários. "Incrível! O prefeito de Catânia realiza um ato de sincera devoção a Santa Ágata e é atacado nas redes sociais por haters estúpidos", disse o presidente do Senado, Ignazio La Russa, um dos principais expoentes do FdI.
Já os secretários municipais de Catânia publicaram uma nota em que definem os ataques a Trantino como "vergonhosos". "O beijo na relíquia da padroeira é um ato natural de devoção e respeito, compartilhado com as principais autoridades eclesiásticas e enraizado na identidade da nossa comunidade", diz o comunicado.
O prefeito, por sua vez, publicou uma nova mensagem no Facebook e disse que teria sido criticado independentemente do que fizesse. "Não tem mais sentido falar do que aconteceu", salientou.