O intenso calor e os incêndios florestais do último verão na Europa, marcado pelo agosto mais quente já registrado, agravaram as pressões inflacionárias no continente, segundo Simon Stiell, chefe de clima da ONU. Ele alertou que esse impacto climático extremo, aliado à histórica dependência europeia de combustíveis fósseis, encareceu as contas de famílias e empresas, deixando a União Europeia vulnerável a uma nova crise energética e de custos com a aproximação do inverno.
As ondas de calor que atingiram a Europa no verão local aumentaram ainda mais as pressões inflacionárias sobre a região, que também pode enfrentar uma crise de combustível no inverno, afirmou nesta quinta-feira o secretário de clima das Nações Unidas, Simon Stiell.
Muitos países europeus sofreram intensas ondas de calor e incêndios florestais, com agosto sendo o mês mais quente já registrado no mundo, segundo o Serviço Copernicus de Mudanças Climáticas (C3S) da União Europeia.
"O verão de calor infernal da UE vem somar-se à crise de custos dos combustíveis fósseis já em curso - e ambos estão elevando os preços para famílias, empresas e governos, em um duplo golpe devastador. A dependência das importações voláteis de combustíveis fósseis tem sido, há muito tempo, o calcanhar de Aquiles econômico da Europa", disse Stiell a uma comissão do Parlamento Europeu em Bruxelas nesta quinta-feira.
"Este ano - mais uma vez - famílias e empresas foram atingidas por contas mais altas. Agora, outra crise europeia de combustível no inverno se aproxima, devido à dependência dos combustíveis fósseis", acrescentou Stiell, que é secretário executivo da UNFCCC, órgão da ONU responsável pelas mudanças climáticas.