Rússia critica envio de sistema de mísseis dos EUA à Noruega, vê golpe contra ideia de negociações sobre armas

Ministério ‌das Relações Exteriores russo afirmou que ‌a implantação representa uma ameaça

7 set 2026 - 10h11
(atualizado às 10h44)
Resumo
A Rússia criticou o envio de um avançado sistema de mísseis dos EUA para a Noruega, alertando que a medida inviabiliza negociações sobre estabilidade nuclear e torna esses locais alvos militares em potencial, já que o armamento poderia atingir Moscou. O Kremlin também condenou o recente reforço nas defesas norueguesas na fronteira do Ártico, classificando as ações como ameaças diretas à sua segurança nacional e prometendo adotar contramedidas para se proteger.
Vladimir Putin e Sergei Lavrov em Hamburgo
 7/7/2017    Sputnik/Mikhail Klimentyev/Kremlin via REUTERS
Vladimir Putin e Sergei Lavrov em Hamburgo 7/7/2017 Sputnik/Mikhail Klimentyev/Kremlin via REUTERS
Foto: Reuters

A Rússia criticou a implantação de ‌um sistema avançado de mísseis dos Estados Unidos na Noruega, país membro da aliança militar ocidental Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), afirmando nesta segunda-feira,7, que isso representou mais um golpe nas perspectivas de negociações entre os EUA e a Rússia sobre a estabilidade ⁠nuclear estratégica.

Reportagens da mídia norte-americana informaram que Washington havia entregue à ‌Noruega, em agosto, um sistema de mísseis que utilizava lançadores do tipo Mk-41, capazes de disparar mísseis de cruzeiro Tomahawk.

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O Ministério ‌das Relações Exteriores da Rússia afirmou que ‌a implantação representa uma ameaça, pois os lançadores poderiam ser ⁠usados para disparar mísseis capazes de atingir uma parte substancial da Rússia europeia, incluindo Moscou.

"Medidas como a implantação na Europa de mísseis de alcance intermediário de base terrestre dos EUA, que representam uma ameaça à Federação Russa, 'zeram', para dizer o mínimo, as condições para ‌um diálogo construtivo com os EUA sobre questões estratégicas", afirmou o ministério ‌em comunicado.

A pasta acrescentou ⁠ainda que ⁠a Rússia prestará "atenção especial" aos locais de implantação e aos centros de comando ⁠e controle dos sistemas de ‌mísseis dos EUA e que ‌estes se tornariam alvos em caso de um conflito militar.

O presidente dos EUA, Donald Trump, tem falado repetidamente em tentar concluir algum tipo de novo acordo de controle de armas com ⁠a Rússia e a China, mas o Ministério das Relações Exteriores da Rússia descreveu, nesta segunda-feira, os planos de buscar negociações multilaterais envolvendo a China como "não realistas".

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Por outro lado, o Kremlin criticou as recentes medidas da Noruega ‌para reforçar sua defesa, expandindo sua brigada de Finnmark, no Ártico, para incluir um batalhão de artilharia, além dos planos de implantar ⁠novos sistemas de foguetes de longo alcance até 2030.

A Noruega, que faz fronteira com a Rússia no Ártico, afirma que a guerra na Ucrânia demonstrou que sistemas de longo alcance são essenciais no campo de batalha moderno.

Questionado sobre essas medidas, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse aos repórteres que "sem dúvida, tal reforço militar, dirigido contra nosso país... não pode deixar de ser percebido como uma ameaça à segurança da Rússia".

Ele afirmou que isso constitui motivo para que a Rússia adote suas próprias medidas adicionais para garantir sua segurança e que o Ministério da Defesa e outros órgãos governamentais já estão fazendo isso.

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