Vaticano confirma remoção de padre que abrigava imigrantes em igreja na Itália

Massimo Biancalani teve recurso rejeitado e deixou paróquias em Pistoia, na Toscana

19 ago 2026 - 14h22
(atualizado às 14h39)

O Vaticano decidiu remover de suas funções pastorais o padre Massimo Biancalani, conhecido na Itália por abrir as portas de suas paróquias para acolher imigrantes, muitos deles em situação irregular, e refugiados.

Massimo Biancalani com refugiado antes de celebrar missa em Pistoia, na Itália
Massimo Biancalani com refugiado antes de celebrar missa em Pistoia, na Itália
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

A decisão foi confirmada nesta quarta-feira (19) pela Santa Sé e marca o desfecho de um processo canônico que se arrastava havia mais de uma década, iniciado pelo ex-bispo de Pistoia e Pescia, Fausto Tardelli.

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Biancalani era responsável pelas paróquias de Santa Maria Maggiore a Vicofaro e San Niccolò a Ramini, em Pistoia, na Toscana, onde acolhia imigrantes e refugiados que não tinham onde ficar. A primeira delas chegou a abrigar cerca de 200 pessoas simultaneamente.

A atuação de Biancalani ganhou os holofotes a partir de 2015, no auge da crise migratória no Mediterrâneo Central, quando centenas de milhares de deslocados internacionais desembarcavam no litoral italiano todos os anos em busca de uma vida melhor na Europa.

A iniciativa, no entanto, gerou forte controvérsia: moradores protestaram contra problemas de saneamento e tensões na região, e muitos paroquianos deixaram de frequentar as celebrações e atividades religiosas.

Após recusar, no verão de 2024, uma transferência para o Departamento Missionário Diocesano ? solução proposta pela hierarquia eclesiástica para preservar sua vocação solidária ?, o sacerdote perdeu a representação legal da paróquia e recorreu à justiça canônica.

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O Dicastério para o Clero, no entanto, rejeitou o recurso apresentado pelo padre contra a remoção, encerrando definitivamente o caso.

A decisão do Vaticano foi recebida com euforia por setores da direita italiana. O vice-premiê e ministro dos Transportes, Matteo Salvini, líder do partido anti-imigração Liga, comemorou: "O padre dos imigrantes ilegais deixou Vicofaro. O tempo é um cavalheiro".

Já o sacerdote definiu a postura de Salvini como "inqualificável e de grande irresponsabilidade". "Na Itália, é cada vez mais difícil acolher. A direita gosta desse sistema, mas a centro-esquerda também teve muitas oportunidades para reformá-lo e não o fez porque teme perder votos", disse Biancalani à ANSA.

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