UE manifesta solidariedade à Arábia Saudita e pede fim de ataques dos houthis

A União Europeia expressou nesta quinta-feira (17) sua "total solidariedade" à Arábia Saudita e exigiu que os rebeldes houthis do Iêmen cessem "todas as ações militares", em meio a uma nova escalada do conflito que deixou pelo menos cinco mortos. Quatro pessoas, entre elas três crianças, morreram em bombardeios das forças pró-governo iemenita apoiadas por Riad na província de Taiz. Na Arábia Saudita, um cidadão iemenita morreu após a queda de destroços provocada pela interceptação de um drone lançado pelos houthis.

17 set 2026 - 15h48
Resumo
A União Europeia condenou os ataques dos rebeldes houthis contra a Arábia Saudita, alertando para a instabilidade regional após o fim da trégua de 2022. Apoiado pelo Irã, o grupo assumiu o controle da costa iemenita no Mar Vermelho e do estratégico estreito de Bab el-Mandeb, ameaçando o comércio marítimo e elevando o petróleo acima de US$ 100. Em meio a bombardeios sauditas e retaliações que deixaram uma vítima civil em Taif, a ONU denuncia uma crise humanitária com mais de 125 mil deslocados.

A UE condenou os ataques contra civis e infraestruturas civis em território saudita e alertou para os riscos crescentes à estabilidade regional. O apelo foi feito pelo porta-voz do serviço diplomático europeu, Anwar El Anouni, após uma nova escalada do conflito que já ameaça uma das mais importantes rotas comerciais do planeta.

Os houthis do Iêmen estão lutando contra forças pró-governo apoiadas pela Arábia Saudita (imagem ilustrativa).
Os houthis do Iêmen estão lutando contra forças pró-governo apoiadas pela Arábia Saudita (imagem ilustrativa).
Foto: © Mohammed HUWAIS / AFP / RFI

Depois do colapso da frágil trégua em vigor desde 2022, os houthis, movimento apoiado pelo Irã e que controla amplas áreas do norte e do oeste do Iêmen, lançaram uma ofensiva relâmpago que lhes permitiu assumir o controle de toda a costa iemenita no Mar Vermelho, incluindo posições estratégicas próximas ao estreito de Bab el-Mandeb. Essa passagem marítima, com apenas cerca de 19 quilômetros em seu ponto mais estreito, conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e é um elo vital entre a Europa e a Ásia por meio do Canal de Suez. 

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O avanço dos houthis provocou forte preocupação internacional porque ocorre em um momento em que o tráfego marítimo global já enfrenta dificuldades devido às tensões no Estreito de Ormuz. Autoridades da ONU advertiram esta semana que a continuidade da ofensiva aumenta o risco de uma ampliação regional do conflito e ameaça a liberdade de navegação em uma das rotas mais importantes para o comércio e o transporte de petróleo. 

Enquanto as forças governamentais iemenitas, apoiadas pela Arábia Saudita, tentam recuperar o terreno perdido, os combates se intensificam em diversas frentes. Segundo relatos recentes, bombardeios sauditas atingiram posições houthis nas províncias de Taiz, Hodeida e Jawf, enquanto os rebeldes continuam lançando drones e mísseis contra o reino saudita.

Os houthis afirmam ter atacado instalações da gigante petrolífera Aramco em Yanbu e a base aérea de Khamis Mushait, além de reivindicarem o bombardeio e a queda de um caça saudita. Riad promete responder de forma firme à ofensiva. 

A violência já ultrapassou as fronteiras do Iêmen. Na província saudita de Taif, uma pessoa morreu após a queda de destroços resultantes da interceptação de um drone, no primeiro episódio fatal desse tipo desde a retomada das hostilidades.

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Ataque à Meca

Paralelamente, a Arábia Saudita acusou, na terça-feira (15) os houthis de tentarem atingir Meca, a cidade mais sagrada do Islã, uma denúncia rejeitada pelos rebeldes, que afirmam ter como alvo apenas instalações militares e petrolíferas. A acusação provocou reações de condenação em vários países muçulmanos. 

A ofensiva houthi coloca Riad sob dupla pressão estratégica. De um lado, os rebeldes ameaçam a navegação e as exportações sauditas no Mar Vermelho; de outro, persistem os riscos ligados às tensões envolvendo o Irã no Golfo. O resultado é uma crescente preocupação nos mercados energéticos. O barril do petróleo Brent voltou a ser negociado acima dos US$ 100 na semana passada, refletindo o temor de interrupções no fornecimento global. 

Crise humanitária

Do ponto de vista humanitário, a situação também se agrava rapidamente. A ONU calcula que mais de 125 mil pessoas tenham sido deslocadas desde o início de setembro, enquanto milhares continuam fugindo das áreas de combate. Organizações internacionais alertam para uma crise humanitária em expansão em um país que já era considerado o mais pobre da Península Arábica antes desta nova escalada militar. 

Mais de uma década após o início da guerra civil iemenita, o fortalecimento militar dos houthis transforma o grupo em um ator com capacidade de influenciar não apenas o equilíbrio de forças no Iêmen, mas também a segurança energética e comercial global. O controle do litoral do Mar Vermelho e das proximidades de Bab el-Mandeb dá aos rebeldes uma influência sem precedentes sobre um corredor estratégico por onde passa parte significativa do comércio marítimo mundial.

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Com AFP

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