O poder Executivo da União Europeia denunciou nesta quinta-feira (6) que canais de desinformação russos atuaram para amplificar a crise da semana passada em Ceuta, exclave espanhol palco de uma entrada em massa de migrantes provenientes do Marrocos.
As imagens de dezenas de milhares de pessoas chegando a nado e percorrendo as ruas da cidade foram exploradas à exaustão por partidos e movimentos de extrema direita mundo afora, em meio a críticas ao projeto do premiê de centro-esquerda Pedro Sánchez para regularizar meio milhão de imigrantes em situação irregular.
"De fato, observamos que canais estrangeiros de manipulação e interferência de informações, particularmente russos, tentaram rapidamente amplificar a situação relativa a Ceuta em diferentes plataformas a partir de 30 de julho, embora nos dias anteriores não tivéssemos observado tal atividade", disse um porta-voz da Comissão Europeia a jornalistas em Bruxelas.
"Diversos canais de desinformação, em particular os russos, que podem ser veículos controlados pelo Estado, canais diplomáticos ou até fontes alinhadas ao Estado, rapidamente amplificaram a situação", reforçou.
Segundo o porta-voz, a atenção da UE "continua alta" diante de uma possível coordenação nas redes sociais para promover um novo assalto a Ceuta em 15 de agosto.
De acordo com a emissora de rádio espanhola Cadena SER, o Centro Nacional de Inteligência (CNI) do país considera essa ameaça "plenamente crível" e cogita até que os organizadores possam antecipar a data para explorar o "efeito surpresa".
Apesar disso, fontes do Ministério do Interior da Espanha garantiram à ANSA que o governo dispõe de "todos os recursos necessários para enfrentar eventuais tentativas de entradas irregulares". Em 30 de julho, cerca de 72 mil migrantes ingressaram em Ceuta de modo ilegal, porém 70 mil foram repatriados voluntariamente nos dias seguintes.