Durante uma cúpula da chamada "Coalizão dos Dispostos", realizada em Paris, na França, nove países europeus e a Ucrânia formaram uma aliança para desenvolver capacidades de defesa contra mísseis balísticos no continente.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, que também participou da reunião na capital francesa, afirmou, em uma publicação nas redes sociais, que os mísseis balísticos representam uma ameaça crescente à segurança de Kiev e de seus aliados.
"A Europa deve fortalecer suas capacidades de defesa nesta área, aproveitando também a experiência da Ucrânia. Hoje, em Paris, saudei o lançamento da coalizão contra mísseis balísticos e seu projeto emblemático voltado para o desenvolvimento de uma capacidade europeia de defesa contra mísseis balísticos", escreveu.
Anfitrião da cúpula, o presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que a coalizão fez uma "escolha clara", que é "proteger a Ucrânia, fortalecer a segurança coletiva e construir uma Europa mais preparada para a defesa".
"Com o lançamento da coalizão antibalística, estamos reforçando as capacidades de que a Europa necessita", acrescentou.
Já o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, avaliou que "capacidades antibalísticas eficazes são fundamentais para encerrar o conflito" no leste europeu. No entanto, ressaltou que elas são tão importantes quanto os ataques direcionados à economia de guerra russa e as operações militares no front.
"Quanto mais sistemas a Ucrânia tiver para interceptar mísseis balísticos russos, maior será a probabilidade de Putin vir à mesa de negociações, pois seu último argumento restante nesta guerra deixará de funcionar. Nosso trabalho no sistema conjunto Freyja não visa substituir os sistemas existentes; trata-se, na verdade, de uma forma de fortalecer nossa defesa, criar um escudo confiável sobre toda a Europa e alcançar esse objetivo de maneira mais rápida e econômica", afirmou.
Paralelamente, a União Europeia e o Reino Unido fecharam um acordo para que Londres participe do empréstimo de 90 bilhões de euros destinado a apoiar a Ucrânia. A informação foi confirmada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que destacou que o pacto permitirá a Kiev "recorrer a uma gama mais ampla de fornecedores do setor de defesa".
Em resposta, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, classificou a "Coalizão dos Dispostos" como uma "coalizão de belicistas" e afirmou que a Rússia acompanhará "muito de perto" os desdobramentos da cúpula realizada em Paris.
"É um grupo de países que não quer a paz, que deseja a continuidade da guerra e que nutre a ilusão de poder infligir uma derrota estratégica ao nosso país. É uma coalizão de pessoas que vivem em uma ilusão e uma coalizão que incita a guerra", declarou. .